Por Roberto Andrade Geraldo Alckmin não só agiu como reagiu mal às denúncias sobre irregularidades em sua gestão como governador de São Paulo. O uso político de verbas publicitárias no banco Nossa Caixa, os vestidos recebidos por sua esposa, Dona Lu, e a relação comercial do seu filho com a filha do seu acupunturista, beneficiado com verbas do governo em uma revista que edita, devem ser investigados sim. E com rigor.
Alckmin pode esbravejar à vontade, reclamar e protestar, como tem feito, dizendo que isso é coisa de “petistóides” e que não há corrupção em sua administração. Pois para ele também vale a máxima “quem não deve não teme”. O problema, todos sabemos, é que em política são muito poucos os que nada devem.
Se Geraldo Alclmin pretende seguir adiante na sua ambição de tornar-se presidente da República, deve se acostumar à idéia de ficar exposto a todo tipo de investigação, mesmo que instigadas pelos adversários políticos. O seu PSDB está fazendo o mesmo ao tentar transformar em escândalo a promíscua relação entre Fábio, filho de Lula, com a Telemar, que injetou milhões em sua produtora de games e programas de TV.
Em depoimento recente à imprensa, Alckmin afirmou que, enquanto governador de São Paulo, geriu um orçamento de R$ 85 bilhões, igual em tamanho ao da Argentina. E que as denúncias seriam sobre verbas publicitárias que liberou para seu acupunturista que não passavam de R$ 120 mil. Foi infeliz na comparação e já demonstrou que está mal assessorado.
Ao eleitor e aos olhos da Lei, não importa o tamanho da corrupção, e sim se ela existiu ou não. Se pretende fazer um contraponto a este verdadeiro lodaçal em que mergulhou o governo Lula e o PT, Geraldo Alckmin deve abrir sua vida pública sem medo, porque, se cometeu irregularidades, fatalmente serão descobertas. Se não as cometeu ou se elas foram realizadas sem seu conhecimento, deve ter a tranqüilidade de quem está ao lado da verdade.

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