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Idéias, apenas idéias

Por Luciano Nunes Suminski Uma idéia é notadamente reconhecida antes mesmo de tomar forma. Estranha certeza até então desconhecida se mostra com naturalidade, com …

Por Luciano Nunes Suminski

Uma idéia é notadamente reconhecida antes mesmo de tomar forma. Estranha certeza até então desconhecida se mostra com naturalidade, com grande necessidade de aceitação, pede para ser pensada, transformada. As idéias precisam ser respeitadas, possuem algo de vida própria, um sentido de existência que precisa de impulso, vontade e energia.

Quantas idéias e novos pensamentos são podados no exato instante de sua concepção? O simples fato do contato com o desconhecido nos leva a pensar no absurdo, no inatingível. Isso sim é absurdo.

A idéia é algo precioso e perde seu encanto quando transformada em utopia. A idéia, sem influência e atitude, vira apenas referência de criatividade, simples reconhecimento que satisfaz o ego e não traz aprendizado.

Crianças e jovens parecem já nascer com respostas e idéias para tudo, possuem a criatividade como essência de vida, seus horizontes pleiteiam a novidade como forma de existir. Precisamos disso como motivação, dependemos deles pelo impulso e estímulo. Ao mesmo tempo, a maioria passa apenas a ditar o que gostaria de fazer, dizer o que deveria ser feito, ensinar a maneira certa de agir e atuar.

A maior dificuldade, para crianças, jovens ou nem tão jovens, é trabalhar na execução de suas próprias certezas, impor um ritmo desconhecido e que precisa antes de tudo ser aceito e comprovado. A prática, caminho único para execução de idéias e novos rumos, não é para quem apenas sabe criar, mas para quem consegue influenciar no curso da vida, passando aquilo que é de sua própria essência.

Na medida que o tempo passa, mais pessoas vão descobrindo que ao executar, ao trabalhar duro na construção de um projeto, derivado de uma idéia ou pensamento, os horizontes vão se abrindo com tremenda rapidez. Descobrimos nossas fraquezas pessoais e conseguimos superá-las, percebemos que a idéia não era tão perfeita, mas que nem por isso não é executável, descobrimos o prazer da tentativa e erro, do esforço e reconhecimento.

No fluxo constante da vida, na novidade dos acontecimentos e na esperança de um futuro que conte com nossa contribuição, não há espaço para o ócio, nem que seja criativo. O mais difícil é mesmo operacional, sem esforço e trabalho nossa genialidade acaba engavetada e admirada apenas por quem também não tem capacidade de fazer a diferença.

Numa simples analogia, é possível dizer que ainda estamos construindo o alicerce, claro que já podemos ir pensando nas janelas ou escolhendo a cor das paredes, mas sem se descuidar com o grande esforço que será necessário para se alcançar essa etapa.

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