Por Vilson Antonio Romero Na faxina do pátio ou da casa, a poeira levanta, mas somente varrendo se descobre e desentulha o lixo acumulado ou escondido. Metaforicamente, neste momento malcheiroso da história política brasileira, em que suspeitas, denúncias, acusações, comissões, mensalões, propinas e outros episódios empestam o céu, o mar e a terra, em especial os corredores acarpetados da Corte federal, nada mais justo que reiterar a relevância da onipresença dos meios de comunicação social. Que, juntamente com outras instituições, como a Polícia Federal e o Ministério Público, recrudesceram suas atividades na busca da visibilidade do podre “modus operandi” de uma parcela expressiva dos agentes da coisa pública.
Se, em determinados momentos, desligamos a TV, o rádio ou deixamos de lado as folhas do jornal, para não sermos torpedeados e contaminados pelo som, pela imagem, pelo papel que retrata o “mundo cão”, escorrendo sangue, miséria, desgraça e imundície da tela, do dial e das páginas, na maior parte das vezes, como esta, devemos refletir sobre a importância da imprensa livre.
Quando os poderes constituídos utilizam os veículos como instrumento de pressão na direção de seus interesses financeiros, políticos, ideológicos ou outros e isto ocorre muito, julgamos que o chamado “quarto poder” se fragiliza.
Mas, logo adiante, quando o faro investigativo, a checagem e rechecagem das fontes, a análise dos fatos, a busca incessante da apuração e divulgação dos mesmos de forma imparcial e esclarecedora, conseguimos construir um instantâneo da história do Brasil e do mundo, voltamos a trilhar na direção do preceito inserido na Constituição brasileira, determinando que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição”.
Nas páginas dos jornais e das revistas, na tela plana e em ondas curtas e médias foram reveladas nestes recentes episódios as identidades de sorveteiros, secretárias, publicitários e outras personagens, que juntamente com Waldomiros, Jefférsons, Dirceus e Marinhos, são decisivos na retirada do grosso cobertor que esconde a fétida relação que envolve, graças a Deus, a minoria de integrantes da sociedade, Congresso e Executivo.
Estes acontecimentos e suas revelações, na certa, servirão para a depuração das instituições, o aprimoramento da cidadania e o aperfeiçoamento das relações na sociedade, ressaltando e levando em conta o papel fundamental da imprensa, dentro do que prega a Declaração de Chapultepec, de agosto de 1996: “Uma imprensa livre é condição fundamental para que as sociedades resolvam seus conflitos, promovam o bem-estar e protejam sua liberdade.” A imprensa livre é e será, sempre, um dos instrumentos a serviço do cidadão no combate à corrupção e na busca da consolidação da cidadania.

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