Falar de diversidade, equidade e inclusão nem sempre é falar especificamente só sobre esses universos. Como muitos dos convidados do espaço Diversidade e Comunicação já mostraram nas várias entrevistas e artigos, nós somos intersecções, camadas e recortes que precisam ser levados em conta na hora não só de considerar a diversidade, mas de que forma a abraçamos gerando equidade e inclusão.
Mas, hoje, inaugurando o novo dia do espaço, queria falar do que nos une e que nos grupos minorizados é ainda pior: a solidão. Buscas no Google por “ansiedade” cresceram 71% nos últimos 2 anos e são quase o dobro das buscas por “depressão”. O Brasil é o país com a maior prevalência de depressão na América Latina, e o segundo nas Américas. Esses são alguns dados de estudo sobre os movimentos que estão moldando a visão do Brasil e as atitudes do brasileiro, feito pela Timelens. As pessoas estão se sentindo solitárias em suas jornadas cada vez mais individuais de vida.
Segundo o relatório, autocuidado e saúde mental viraram tema de qualquer roda de conversa e chegaram a muitas dimensões da vida. Buscas no Google por “estresse”, “depressão” e “burnout” seguem acima dos níveis pré-pandêmicos no Brasil. Teve até o case da família que fez amigo secreto “de remédios” com presentes para ajudar cada membro a lidar com suas dores. Ninguém é de ferro: mostrar vulnerabilidade é o “novo normal”. Na contramão da positividade tóxica, as pessoas desapegam da ideia do “tudo perfeito, sempre”.
Esse é um grande momento para todos nós, independente de quais recortes fazemos parte, encararmos com empatia: se está difícil pra mim que possuo certos privilégios, imagina pro amiguinho ali do lado que culturalmente, historicamente e socialmente precisa fazer o esforço dobrado pra chegar no mesmo caminho. É por isso que o espaço Diversidade e Comunicação se consolida mais do que uma local de representatividade, mas como um local de fala e escuta. Aprendemos quando ouvimos, geramos conexões mais profundas quando conversamos, nos sentimos menos sozinhos quando entendemos que todos estão em suas lutas, sejam elas maiores ou menores.
Inclusão é um ato de gerar conexão real e pertencimento. Dói quando nos sentimos sozinhos. É bom quando nos sentimos parte de algo. Vamos, juntos, lutar para que ninguém mais se sinta assim, principalmente aqueles grupos minorizados mais sujeitos a se sentirem por causa de uma estrutura cultural opressora e excludente.
Luan Pires é jornalista e pós-graduado em Comunicação Digital.


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