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J”accuse

Por Antonio Bavaresco No final do século XIX, um oficial do exército francês foi vítima de um dos mais atrozes processos de perseguição de …

Por Antonio Bavaresco

No final do século XIX, um oficial do exército francês foi vítima de um dos mais atrozes processos de perseguição de que se tem notícia. Naquele que ficou conhecido como “Caso Dreyfus”, coube a um dos maiores expoentes da literatura francesa a tarefa de, com um artigo devastador que ocupou uma página inteira do principal periódico da época, desmascarar o complô que se armara. O título, em letras garrafais, simplesmente: “J”accuse”, em português, Eu acuso!!!.

Sua atitude corajosa e desprendida não pôde ser contraposta por forças outras que não fossem a das palavras, comprovando (ou não) fatos concretos. A tarefa tornou-se impossível para os limitados e comprometidos generais franceses e foi a partir do texto de Emile Zola que começou a ser desmascarado o caráter anti-semita do falso processo crime.

Lá se vão mais de cem anos e… que saudade do tempo em que artistas consagrados tinham coragem de vir a público para denunciar desmandos, perseguições, roubalheira e outras “cositas” que se tornaram regra entre Câncer e Capricórnio. Nos falta o nosso Zola, em compensação sobram generais de mentirinha a defenderem um projeto que, muito mais que de governo, é de poder. Alguns têm o “Tiso” (acabo de criar o verbo, sinônimo de peito, cara de pau, desfaçatez, laje, etc…) de, ao invés disso, tentarem desqualificar os denunciantes. Segundo os “Samurais da Bandalheira”, aqueles que acusam não teriam legitimidade, pois apoiaram a ditadura que governou o país por 25 anos. Sobre a procedência ou não das denúncias: silêncio!!!

Tá bom, se esses luminares da cultura tupiniquim consideram que não há legitimidade nos que denunciam as apropriações indébitas de valores não contabilizados oriundos de nossas combalidas finanças, aqui vai. J”ACCUSE. Eu, que não apoiei ditaduras e não me considero “reacionário”, acuso. Eu, que um dia também já tive um “Coração de Estudante”, acuso. Pronto, seu Wagner, (talvez não por coincidência, mesmo nome de um dos compositores prediletos do regime nazista)!!! Pronto, seu Betti (cuja densidade política pode ser comparada à da mulher do Barney, dos Flintstones)!!! Eu acuso. E tenho dito. Que inveja da França de Zola e Zidane!!!

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