Por Edison Moiano*
Passei a tarde da segunda-feira, 21 de junho, envolvido com os trâmites da minha aposentadoria. A idéia era, ou pelo menos parecia, definitiva: obtido o chamado ócio remunerado, abuso adquirido ainda na era Vargas, como diria o Gaspari, deixar o jornalismo depois de 40 anos e dedicar-me à outra paixão, a advocacia trabalhista obreira.
Eis que, pouco antes das 22h, estoura mais uma daquelas de última hora, tão comuns nesta longa jornada: morreu Brizola. Mudança de rota em pleno vôo, rediagrama boneco, etc… e o Telmo Flor me convoca para auxílio à competentíssima Editoria de Política.
Forma-se a “força-tarefa e mãos à obra”. Aos 57 anos, revivo a beleza do espetáculo de JORNALISTAS EM AÇÃO. Foi emocionante contar com a competência, a solidariedade e a agilidade de tantos. A Simone, o Eugênio, a Ana Paula e o Paulo Mendes dividindo responsabilidades de edição. A mobilidade do Renatão, do arquivo, e do José Ernesto na seleção de fotos. O Marquinhos na diagramação. O Rafael e o Alfredo Possas, da Editoria da Esportes, este último com a combatividade de tenente da Reserva do Exército, que realmente o é, convocado para o front. E o que dizer do bom Heron Vidal, do insuperável Panatieri, do nosso mais recente colega Adriano Santana, manobrando a Internet na pesquisa fundamental para o resultado final!
Só para esnobar, posso gabar-me de contar com a competência do repórter Gilson Camargo, da redatora de elite Beth Mattos (carregando papeletas). Além do mais, tivemos torcida organizada (todos os demais colegas da reportagem, central de texto e outras editorias, correndo à nossa mesa para indagar se precisávamos de auxílio). Não faltou nem mesmo o telefonema do meu compadre Paulo Acosta, direto da hotelaria da PUC para a redação! E a Jurema, do outro lado do mundo.
Enfim, por volta da meia-noite, quando pensávamos ter fechado as duas páginas especiais, vem o aviso do Marquinhos: “Falta uma matéria na 12”. Lembro-me, então, que a minha “afilhada” e futura brilhante jornalista Aline, por conta própria havia buscado o texto do último tijolaço do engenheiro, “O epitáfio da esperança”. O resto ficou por conta da Simone. Ao final, o trabalho dos revisores, os quais costumo classificar como anjos da guarda do meu texto.
Com tantos jornalistas, verdadeiramente em AÇÃO, todos capitaneados pelo Telmo (que, com a devida vênia, já foi meu foca), restou-me ao final da noite de 21 de junho de 2004 revisar projetos e, teimosamente, como diria Leonel Brizola, talvez morrer na cancha como cavalo inglês.
* Edison Moiano é jornalista, editor de Cidades do Correio do Povo.

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