Por Roberta Namour
Le Monde em recessão, Le Figaro em estagnação, Libération em decadência. “A mídia impressa francesa está morrendo”, anuncia Edwy Plenel, diretor do grupo Le Monde de 1995 a 2005.
Tiragens em baixa, leitores em extinção, população sem informação. Cenário comum de leste a oeste, de norte a sul. Problema financeiro ou de direção? Problema de cultura! A degradação do journalisme está em pauta e sua morte prevista. A precisão dos números expõe mais uma vez a soberania francesa : 200 leitores a cada 1000 habitantes, o mais baixo índice da Europa.
Então por que chorar pela morte de quem nunca esteve vivo? A história está aí para comprovar que fazer e ler jornal nunca foi o forte dos franceses. Publicações nacionais não dão ibope dentro de casa. Títulos de renome internacional são ainda reflexo de uma política mundial influente.
Por aqui, folhetins gratuitos se transformam em febre da nova geração. Apostando numa linguagem mais descolada, em quilos de imagens e em formatos originais, publicações regionais ganham em quantidade, mas pecam em qualidade.
Na seqüência aparece “o resto”. Jornais diários antiquados e revistas segmentadas fúteis, que só conseguem se manter em pé devido a gorda mesada do governo.
Resultado: uma população desconectada do resto do mundo, ignorante em cultura internacional, pobre de visão crítica e cada vez mais regionalizada. Enquanto o formato francês existir, a “previsão do tempo” continuará a ser, para a maioria, a única fonte de informação.
O journalisme sempre esteve em crise, crise de conteúdo!

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial