Por Luis Fernando Manassi Mendez
É inquietante a banalização midiática em torno do lado maldoso do brasileiro. Foi produzido um filme sobre o assalto ao Banco Central e, também, não bastasse, um livro, tratando sobre o mesmo tema- dando a impressão, ao cidadão, o quanto a valorização da boa conduta está cedendo espaço às más. Exemplos práticos de honradez veiculadas na imprensa estão escassos, ao que tudo indica, quando pequenas notas sobre “achar e devolver o dinheiro perdido por alguém”, são de proporções insignificantes, em relação ao tamanho espaço ganho por crimes no jornalismo diário.
Em um trecho do filme é possível notar, na fala de um dos personagens interpretando um dos ladrões, a forma triunfante de como este menciona o “orgulho” de ser brasileiro nestas horas – depois de ter obtido sucesso no roubo. Encaro não só a fala como um deboche, mas o filme em si. Há, contudo, outro viés, o da ironia, podendo ser uma crítica à atual situação catastrófica da ética brasileira.
Entretanto, o momento em que vivemos não é bom. Observando midiaticamente a banalização do mal – muitas pessoas acham que o brasileiro é, de forma geral, corrupto –, atribuo, em parte, a culpa ao jornalismo brasileiro por midiatizar este nosso lado rude. Será que não há espaço para boas ações?
Pai que mata filho e vice versa, crimes passionais, recém-nascidos abandonados em lixos, maníacos à solta, crimes virando filmes – além do assalto ao Banco Central, é memorável, também, o filme do ônibus 174. Esta banalização cruel faz parte do jornalismo que, infelizmente, não se contém nas páginas policiais.
O mal, banalizado na imprensa, torna-se um símbolo noticioso. Condeno, como jornalista, reportagens exclusivas que deem ênfase a exposições de crimes, que constranjam as vítimas, ficando, estas, expostas. Em outros casos, é válido mencionar o sensacionalismo, como uma dos piores deslizes jornalísticos.
A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) deveria exercer maior rigor neste caso, já que veículos de comunicação, ao divulgarem notícias que objetivam contemplar assuntos trágicos, repercutindo-os rotineiramente, deveriam sofrer sanções. É inconcebível que a mídia promova atitudes indignas, tornando esquecidos tais exemplos que acompanham o cidadão honesto.
A imprensa tem justificado a falsa crença do brasileiro em achar que nossos valores estão corrompidos. Ninguém acredita mais em ninguém, há, até, cronistas de fama nacional, dizendo que o brasileiro, de forma geral, é mesquinho, egoísta e todos, sem exceção, são corrompidos. Neste caso, necessitamos, urgentemente, de uma reportagem especial feita sobre o tema brasileiro- já que somos banalizados de notícias ruins sobre desvios de caráter, a imprensa brasileira, neste aspecto, não tem sido imparcial – senso comum característico do jornalismo – sobre as atitudes do brasileiro.

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