Artigos

Machado de Assis e marketing digital. Por que não?

Por José Wilson Fontenele Especialistas, professores e alguns profissionais do meio projetam que os jornais impressos tendem a desaparecer frente ao avanço inexorável da …

Por José Wilson Fontenele

Especialistas, professores e alguns profissionais do meio projetam que os jornais impressos tendem a desaparecer frente ao avanço inexorável da internet. A migração é lenta, porém inevitável, mas ainda há um problema principal que nenhum especialista/marqueteiro/gênio conseguiu resolver: como utilizar a web para captar clientes, a fim de conseguir propaganda e, consequentemente, dinheiro. Trocando em miúdos, ganha um lugar na Forbes quem descobrir como seduzir o leitor/consumidor de internet e torná-lo fiel. E o termo é exatamente esse – sedução. Com o avanço das tecnologias de comunicação, é cada vez mais o fator sentimental inconsciente que influencia as centenas de escolhas que existem na internet, e só o atendimento em alto grau que “conquista” o cliente o faz optar por um serviço/produto e não pelo outro. Como então seduzir e manter a conquista?

Tendo em vista que a evolução do conhecimento é contínua, mas as estratégias são as mesmas desde o princípio da história (elas somente incorporam o conhecimento inerente de cada Era como forma de diferenciação), é possível sugerir que o mestre Machado de Assis tem todas as respostas para essa pergunta. Baseio-me no clássico “Memórias Póstumas de Brás Cubas” para explicar que há três formas de atendimento e fidelização na web: a brutal, a de privilégios e a insinuativa. Explico. Machado de Assis demonstra no livro que há formas de sedução clássicas todas inspiradas nos casos de amor de Zeus (rei dos deuses da mitologia grega): a brutal, ao que ele explica como Zeus se transformou em uma chuva de ouro para engravidar Dânae, uma mortal que vivia presa em uma torre de bronze; a de privilégios, ao que o autor explica como Júpiter, metamorfoseado em Touro, raptou Europa às margens do Oceano; e a insinuativa, em que conta como Tonante transformou-se em cisne, e, tal qual um amante, brincou com Lêda, até conseguir-lhe o coração. Da mesma forma, Assis apontava as formas de sedução que podem ser aplicadas para conquistar, nesse caso, o cliente. Explico mais uma vez.

A forma brutal de sedução encontrada por Zeus transformou-se em “Chuva de Spams”. Nesse caso, o plano de marketing se torna o chamado “brute force”, que enche a caixa de e-mails do cliente com ofertas e mais ofertas, gerando na maioria das vezes um incômodo. Esse método também é o responsável pelos pop-ups de ofertas e serviços, que aparecem automaticamente (quase magicamente) quando o usuário clica em qualquer lugar da página, em qualquer site. Com esse método o propagandista tem que comprar mais espaços em sites, gastar mais dinheiro e só depois de um tempo é que há retorno.

Na segunda forma, de privilégios, agem os descontos. Acontece quando em vez de simples anúncios o usuário de internet já recebe as ofertas com desconto, coisas do tipo “somente nesse fim de semana essa promoção”, e semelhantes. Pode ser uma boa forma de ganhar clientes, mas é pouco diferente do método brutal. A terceira forma, insinuativa, acredito ser a melhor de propaganda pela internet. Lêda, a mortal que Zeus queria cortejar, era o público-alvo dele. Aí é que entra a internet e as redes sociais. As empresas entenderam que é importante ter perfis no Facebook e Twitter para manterem-se em contato com o público, mas não conseguiram ainda o mais óbvio: vender para os contatos dos clientes que elas já têm.

O uso do Facebook tem de ser estratégico na medida em que ele pode ser usado como uma ferramenta de contaminação de clientes. O que precisa ser estabelecido é um plano que considerará, a priori, vendas para os contatos dos já consumidores. Esse público-alvo teoricamente é mais susceptível, pois está no mesmo grupo social, portanto (em tese) tem as mesmas aspirações, desejos, que podem ser usados para criar sentimento, necessidade, desejo. Dependendo do produto/serviço a ser oferecido é necessário haver uma insinuação, um convite, que despertará uma curiosidade, e, logo, uma condição de melhor aceitabilidade por parte do cliente. O Twitter se encarregaria, nesse jogo, de dividir as emoções experimentadas (a fim de ratificar a estratégia) e expandir mais ainda a propaganda, nesse caso, totalmente gratuita.

Estas três formas podem ser empregadas proporcionalmente, mas antes se pergunte o essencial: a minha propaganda tem charme, apelo? Qualquer coisa aprenda com os personagens femininos da literatura machadiana: Marcela, Capitu, Helena…

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.