Por João Firme A propaganda brasileira deveria criar uma instituição voltada para o bem social com o nome de Antônio Mafuz, uma forma de homenagear e colocar na história um dos três mosqueteiros da MPM que liderou e profissionalizou, ao lado de seus colegas Petrônio Correa e Luiz Macedo, o segmento da publicidade desde o final da metade do século XX.
Sabe-se que em 1965 o então ministro do Trabalho, Walter Peracchi Barcellos, ex-governador do RS, recebeu das mãos de Antônio Mafuz e Petrônio Corrêa o anteprojeto de lei que definia o exercício da profissão de publicitário. Encaminhado ao Congresso, foi aprovada em regime de urgência e sancionada pelo ex-presidente Castelo Branco, com alguns vetos, a Lei 4680/65, que numa tacada só normatizou com o nome de publicitário o profissional de agências e acrescentou a forma de relacionamento com os veículos e anunciantes. Foi uma “regis” diferente e inteligente, remetendo a fiscalização para a ABAP – Associação Brasileira de Agências de Publicidade e aos Sindicatos da categoria, com a retaguarda do Ministério do Trabalho. Em 1967, o Decreto 57690/67 regulamentou o diploma legal.
Antes da Lei 4680/65, existiam no mercado adjetivos pejorativos diferentes – como vendedores de reclames ou picaretas – aos que faziam da propaganda um instrumento de desenvolvimento de indústrias, comércio e serviços. Com a legislação, as Escolas de Propaganda se tornaram Faculdades de Publicidade, hoje chamadas de Comunicação. E em 1964, a Famecos formou a primeira turma de Publicidade, Jornalismo e Relações Públicas. Pertencemos à segunda turma, de 1965. Em 1973, os cursos se desmenbraram, formando profissionais nas três áreas. Antônio Mafuz foi o paraninfo das três profissões em 1973, uma homenagem e reconhecimento pelo muito que fez pela atividade da comunicação, dignificando os trabalhadores em agências com o nome de publicitário.
Mas Mafuz teve outros méritos, sendo fundador da ARP – Associação Rio-grandense de Propaganda do RS, do Sindicato das Agências de Propaganda do RS e da ALAP – Associação Latino-Americana de Agências de Publicidade.
O Sapergs nasceu dentro da MPM e todas as reuniões contavam com as presenças de Mafuz e do seu grande colaborador, Adão Juvenal de Souza. O Sapergs foi constituído conforme a Lei 4680/65, cuja Carta Sindical foi assinada pelo ex-ministro do Trabalho, o leopoldense Arnaldo da Costa Prieto.
Mafuz marcou sua vida profissional pelo amor aos seus semelhantes e solidariedade, tendo concordado com o pleito do seu Sindicato em dividir as contas de publicidade no Governo Jair Soares. A partir dessa deliberação, foi instalada a licitação de agências pelos poderes públicos federal, estadual e municipal.
Homem ético, talentoso, empreendedor, culto, autêntico e simples, ele saiu da vida e entrou para a história da propaganda do nosso país. Que seus exemplos sejam seguidos pelos jovens que escolheram esta dignificante profissão idealizada por Antônio Mafuz, o publicitário.

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