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Mais um 1º de abril?

Por Antonio de Oliveira Os brasileiros correm seriamente o risco de viverem mais um dia 1º de abril sombrio nas suas vidas e para …

Por Antonio de Oliveira

Os brasileiros correm seriamente o risco de viverem mais um dia 1º de abril sombrio nas suas vidas e para a história da Nação. É que está na pauta de julgamentos do Superior Tribunal Federal (STF), a mais alta Corte do País, para ser votada na próxima quarta-feira, uma proposta que pode acabar com a exigência de diploma de curso superior em Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista. E o relator é, nada mais nada menos, que o presidente do STF, Gilmar Mendes, que vem se revelando nos últimos tempos pessoa na qual os jornalistas brasileiros não podem depositar qualquer grau de confiança, e até entendem que, por isso, ele deveria considerar-se impedido de avaliar este processo. Mas, ao contrário, ele avocou a si, o que demonstra que temos que nos preparar para o pior.

Para nós, que trabalhamos com informação, uma decisão contrária à exigência do diploma poderá significar, para o futuro, prejuízos à sociedade e à Nação maiores até que os causados pela censura imposta pelo golpe militar de 1964, ocorrido também, coincidentemente, num dia 1º de abril. E olha que nós sofremos até hoje, e sofreremos ainda por muito tempo, as consequências dos anos de escuridão que vivemos durante a ditadura militar.

O fim da exigência do diploma para o exercício do jornalismo, significará também o fim da profissão, pois atrás dela virão outras medidas que degradarão e destruirão todas as conquistas alcançadas até hoje pela categoria, como, por exemplo,  o salário profissional. Nenhuma empresa pagará salário profissional para pessoas sem qualquer formação, ou sem necessidade de ter formação na área de Comunicação Social, e que substituirão os jornalistas profissionais nas redações. Jornalismo passará a ser atividade remunerada com o salário mínimo. Isto sem falar na imensa frustração que tomará conta de milhares de professores, estudantes, pais, mães, irmãos, outros parentes e amigos em todo o País.

Atrás de uma decisão dessas, se acontecer, virão outras, que poderão acabar com a exigência de formação superior também para outras profissões, como assistentes sociais, administradores, relações públicas, advogados, nutricionistas e terapeutas, por exemplo.

Mas o que intriga mesmo é descobrir quem está, e com que propósito, por trás deste movimento que visa, acima de tudo, desqualificar a informação que é levada às pessoas através dos jornais, emissoras de rádio e de televisão, e agora também da Internet, já que isto não é do interesse da sociedade. O que a sociedade tem direito e quer, e exige, é uma informação cada vez mais qualificada, que só poderá acontecer com a exigência de profissionais cada vez melhor formados e não uma imprensa feita por aventureiros sem compromissos com o crescimento da sociedade e da Nação.

Otimista sempre de plantão, torço para que os nossos ministros do STF estejam iluminados neste dia, e que nos livrem de mais um primeiro de abril enganoso e impeçam mais este retrocesso. O Brasil não merece.

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*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

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