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Mamonas, Lula e um verão em Floripa

Por Magali Barbiani Era janeiro de 1996. Um verão escaldante em Florianópolis. Um longo engarrafamento na subida da Lagoa. As rádios locais só tocavam …

Por Magali Barbiani

Era janeiro de 1996. Um verão escaldante em Florianópolis. Um longo engarrafamento na subida da Lagoa. As rádios locais só tocavam os hits dos Mamonas Assassinas e um único desejo assolava minha alma e meus ouvidos: que eles parassem de tocar! Please, shut up! Só queria que eles, de uma única vez, parassem de cantar, pois se restasse algum, um só, a maldição continuaria!!! Quem com mais de 30 anos poderia me recriminar por isso? Esse alguém que atirasse a primeira pedra.

O fato é, que menos de 15 dias depois, encerradas as férias, fico sabendo pela televisão da trágica notícia sobre o acidente fatal que dizimou o grupo, mas libertou nossos ouvidos da ignorância em forma de estrofe. Confesso que a parte mais racional de mim vibrou aliviada, e a mais irracional tremeu pelo poder “da boca maldita”. E, o pior, o desejo inconfesso foi feito em voz alta, o que me garantiu, no mínimo, mais três ocupantes do carro como testemunhas oculares – ou ouvintes?

A melhor notícia de 2006, até agora, é que Lula está de férias a partir de hoje e nos poupa, por alguns dias, de suas bazófias. A pior notícia do ano, tirando o novo aumento dos combustíveis, foi a entrevista programada que Lula deu ao Fantástico da Rede Globo, no último domingo. Que fato lamentável! Como se já não bastasse aquela desastrada entrevista a uma repórter francesa, ou melhor, brasileira, que ninguém conhece e nunca viu mais gorda, para tentar explicar a inexplicável conduta do PT, o inegável mensalão ou o irresistível caixa 2.

O fato é que se restasse mais um único dia em 2005, certamente José Dirceu teria pago o que devia a Roberto Jéferson; Marcos Valério não teria emprestado milhões de reais a Delúbio Soares; Antônio Palocci teria demitido antes Waldomiro Diniz e Buratti, e os filhos, irmãos e assessores teriam escolhido um lugar mais seguro para transportar dólares ou teriam feito operações mais verossímeis para comprovar balanços contábeis.

De antemão, quero tranqüilizar os ímpios de plantão que qualquer semelhança se trata de mera coincidência. Para deixar claro, não estou desejando mal algum ao nosso excelentíssimo presidente da República, que, espero, tenha uma resposta à altura nas urnas. Mas devo dizer que, assim como milhões de brasileiros, quero gritar em alto e bom som: Lula, shut up!  

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