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Marketing Político e Corrupção

Por Roberto Andrade Há 4 meses, quando estava no auge a crise política desencadeada pelas denúncias de Roberto Jefferson, um amigo e colega jornalista …

Por Roberto Andrade

Há 4 meses, quando estava no auge a crise política desencadeada pelas denúncias de Roberto Jefferson, um amigo e colega jornalista que atua em um diário de Porto Alegre me convidou para escrever um artigo sobre marketing político e corrupção. Ele visualizava o direcionamento para este mercado de grande parte das investigações que se inicariam através das CPIs e das instâncias policiais e judiciais. Estava certo.

O convite a mim feito certamente se fundamentava na experiência que adquiri como jornalista e produtor de campanhas de rádio e televisão em todo Brasil. À época, declinei da solicitação e não escrevi o artigo. Achava estranho as partes envolvidas no escândalo elegerem a forma de arrecadação de fundos para campanhas políticas como palco final das denúncias. Fiquei atento à seqüência dos fatos e, aos poucos, as verdades foram aparecendo. Nunca foi segredo para ninguém que candidatos a qualquer coisa no Brasil, até à síndico, são apoiados financeiramente pelos que pretendem ser ou se manter fornecedores das suas necessidades futuras como administradores. Quando respeitados os limites da lei, obviamente nisto não há ilegalidade.

Mas esta é, sabidamente, uma relação promíscua e imoral. Aliás como quase toda relação entre gestores públicos e fornecedores, não só no Brasil. Para isso são necessárias as leis e quem as faça serem cumpridas. Parecia, portanto, um claro jogo de cena transformar o marketing político em algoz da moralidade. Passado o ciclo de Marcos Valério, Delúbio e Silvinho como estrelas máximas do crime e da corrupção, o País se vê agora em período de depressão pós-parto. Lula sabia de tudo, mas não interessa a ninguém que isso seja provado. Zé Dirceu vai espernear, mas será cassado, junto com meia dúzia de eleitos – verdade seja dita, se deputado que usou dinheiro de caixa dois deve ser cassado, o último que sair do Congresso por favor apague a luz.

Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto, José Genuíno e agora Eduardo Azeredo, os quatro presidentes dos seus partidos, já são carta fora do baralho. Isso sem contar a malha miúda dos Correios, IRB, Furnas, Casa da Moeda, Banco do Brasil e Eletronuclear. Digamos que, só por esta limpeza da sujeira pesada na máquina pública, como cidadãos, já podemos comemorar. Mas a impressão que fica é que todo este esquema surgiu como fruto de um processo político autofágico. O corporativismo à brasileira, que Millor define de forma brilhante como porcorativismo, fez com que a classe política se lambuzasse completamente em seu próprio melado. Ruim para eles, bom para o País.

Ao inverso do que tenho ouvido, creio que para jornalistas, publicitários, artistas e profissionais do mercado de rádio e televisão, daqui para frente, ficará mais interessante atuar nas campanhas políticas. Afinal, muitas vezes, quem pagava a conta desta enigmática relação entre políticos, partidos e financiadores de campanhas éramos nós, fornecedores, ao não receber pagamentos e ter que conviver com os calotes como rotina.

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