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Mau-humor do século XXI

Por Ana Lúcia Klein De Zotti* É impressionante o ponto em que chegamos no quesito humor nos últimos tempos. Tudo conspira para que nosso …

Por Ana Lúcia Klein De Zotti*

É impressionante o ponto em que chegamos no quesito humor nos últimos tempos. Tudo conspira para que nosso humor seja continuamente alterado no passar das 24 horas. Na maioria das vezes acordamos com um excelente estado de espírito, mas o desenrolar das horas vai nos deixando malucos. Exemplos não faltam. Começamos o dia fazendo nossas tarefas. É claro que estamos sempre contra o tempo. O trânsito está insuportável. Carros e motos passando por todos os lados. Pedestre reclama que não se pára na faixa de segurança. O carro que vem atrás buzina porque se pára. Tenta-se uma vaga. Não há. Vamos para o estacionamento e já começamos o dia desembolsando.

O celular toca (quando fecha a ligação) e não conseguimos atender. Entramos no comércio e muitas vezes parece até que estamos fazendo um favor. O semblante de alguns atendentes está mais para que você procure outro lugar do que um “seja bem-vindo e escolha”. Se vamos almoçar, os restaurantes estão lotados. Lugar para sentar, só esperando. Se tivermos paciência (esta é uma palavra rara nos dias de hoje) tudo bem, mas normalmente a pressa fala mais alto. Então é preciso fazer uma cara de “apure aí, também quero comer, e rápido”. De noite então, sem comentários. Se resolvermos chegar depois das 22 horas, perigo à vista. É possível que coloquem cadeiras por cima das mesas, dando a impressão (justamente com esta intenção) de que já está na hora de fechar. Portanto, comer vai ter que ser rápido…

Poderia dar inúmeros exemplos. Falei dos básicos porque são os que nos afrontam no dia-a-dia. Citaria ainda as filas dos bancos e os caixas automáticos que seguidamente têm uma mensagem muito original: “Em Manutenção”. Ou quando os funcionários de qualquer estabelecimento que tenha computador e não esteja funcionando nos informam: “É problema do sistema”. Esta frase agora virou chavão.

E o mais incrível de tudo é que as pessoas não perdem um minuto sequer para pensar como estão agindo, como se isto fosse o normal. Muitos já respondem até com monossílabos, para não se estenderem demais. E mesmo assim ainda buscamos um bom dia, boa noite, um sorriso quem sabe, para tentar amenizar o mau-humor daqueles que cruzam por nossas 24 horas nas ruas, trens, restaurantes, ônibus, lojas, escolas, enfim, onde quer que se vá.

Talvez tivéssemos que ter uma disciplina estipulada “Boas Maneiras”, ou, para não chocar tanto: “Como vencer o mau-humor diário”. Porque a grande maioria das pessoas não gosta desta forma de agir da humanidade. Todos correm. Cada um no seu mundo, do menos favorecido ao mais abastado. Mas todos correm! Então, estamos juntos no mesmo caminho. Temos é que balancear o ritmo para que não sejamos um daqueles com tal semblante ao cumprimentá-lo…E depois, mau-humor não tá com nada! Não vai resolver problema algum, nem o seu, nem o meu.

* Ana Lúcia Klein De Zotti é jornalista e editora da De Zotti Comunicações.

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