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Minha amiga não quer só 12% para o SUS. Ela também quer respeito

Por Antonio Oliveira Atualmente, cerca de 7,5 milhões de gaúchos têm apenas o SUS para recorrer, em questão de saúde. É verdade. Até eu …

Por Antonio Oliveira

Atualmente, cerca de 7,5 milhões de gaúchos têm apenas o SUS para recorrer, em questão de saúde. É verdade. Até eu mesmo, se for acometido de algum mal (bato três vezes na madeira depois de me certificar que não é plástico ou madeirite), terei que me socorrer dele. O SUS, cujo nascimento eu acompanhei, numa sessão histórica do Senado, presidida pelo meu amigo jornalista e então senador Pompeo de souza.

E no momento em que é lançada uma vasta campanha de 12 entidades, entre elas a Famurs, o Cremers, o Conselho Estadual de Saúde (CES), lideradas pela OAB-RS e denominada “Saúde Rio Grande. Cumpra-se a Lei”, que vai culminar com um montão de assinaturas entregues ao governador Tarso Genro, pedindo a aplicação de 12% dos recursos do RS no setor, eu tomo a liberdade de dizer que só isto não resolve. Há outras questões também muito sérias e graves a serem resolvidas.

Meu recado é direto à OAB-RS, ao Cremers e ao CES, sempre tão atuantes na defesa dos doutores e dos recursos, mas tão desatentos quando se trata de respeito ao ser humano. E isto não se consegue com os 12% de recursos. Nem com 100%. O fato aconteceu com uma amiga minha, mas certamente ocorre com inúmeras outras pessoas, que são escorraçadas e ficam em silêncio.

Pois minha amiga jornalista acompanhou um amigo portador de esclerose mútipla a uma consulta no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e acabou precisando chamar a polícia para poder se livrar das garras de um jovem e truculento médico que a agrediu verbal e fisicamente na frente também de sua filha, além de ter chamado meia dúzia de seguranças armados de cassetetes para levá-la dali não se sabe para onde. Foi a valentia dela que a salvou das garras do médico e dos seguranças, já que o médico queria trancá-la numa sala, agarrando-a pelo braço e jogando-a contra a parede.

Isto aconteceu há cerca de sete meses. Minha amiga registrou queixa na polícia e encaminhou denúncia ao Cremers e ao CES – dos quais não recebeu nenhuma satisfação até hoje -, além de ter registrado ocorrência na Ouvidoria do HCPA . Minha amiga estava acompanhando uma pessoa incapacitada de se expressar e só foi atendida depois de 45 minutos de espera por uma consulta com hora marcada. Por isso, reclamou e contestou a maneira como estava sendo tratada ao ser atendida por uma estagiária. Sua justa reclamação provocou a ira do médico.

Como cidadã, minha amiga sente-se duplamente desconsiderada e humilhada. Pelo mau atendimento do médico troglodita na frente de sua filha, quando acompanhava uma pessoa sem condições de se manifestar, e pelo descaso do Cremers e do CES, que são as representações profissional e democrática da sociedade junto ao SUS.

Minha amiga não quer só 12% para o SUS. Ela também quer respeito.

OBS: Se a voluntariosa OAB-RS se interessar, estou autorizado a dar o nome do paciente e do médico, dia e horário do (inacreditável e truculento) atendimento. Minha amiga continuará aguardando pelas providências do Cremers e do CES.

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