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Minha burrice olímpica

Por Mário Rocha Sei quando alguém atinge o objetivo principal do futebol. Tem os três paus, sendo dois verticais e um horizontal apoiado neles. …

Por Mário Rocha

Sei quando alguém atinge o objetivo principal do futebol. Tem os três paus, sendo dois verticais e um horizontal apoiado neles. As duas junções constituem os ângulos “onde a coruja dorme”. Há uma linha demarcada na grama entre os esteios verticais e uma rede que alguns locutores de antanho chamavam de “o véu da noiva”. A plasticidade maior é quando o petardo disparado pelo jogador vence o goleiro e “estufa o véu da noiva”, mas basta a bola passar um pouquinho da linha que já dá para gritar “Gol!”.

Vibro quando é marcado um ponto no voleibol. Basta a bola bater na quadra do adversário ou, tendo tocado em um defensor, não ser devolvida por sobre a rede, em três toques no máximo, para a quadra da outra equipe. (Tenho uma preferência especial pelo vôlei feminino de praia. Acho extremamente sensuais as imagens daqueles belos corpos semi-despidos esticados ao máximo para o alto ou se esparramando na areia.)

É fácil acompanhar quando a bola escorrega cesta abaixo batendo antes no aro ou caindo de “chuá”. Mais difícil é compreender que quando isso acontece pode ter havido a marcação de um, dois ou três pontos no basquete. Não tenho dificuldades com o tênis de mesa, mas um dia alguém vai me explicar o porquê do 15-30-40 da pontuação do tênis em quadras de saibro ou grama.

Natação é barbada: ganha quem bate primeiro na parede da piscina. Badminton também não tem mistério, embora eu ache que jogar uma petequinha por cima de uma rede é próprio para Olimpíada Kids. Ela também teria jogo de taco, pião, cinco marias, bolinha de gude e “bafo”. E por aí vai a coisa, sem esquecer das provas de corrida, salto etc etc.

É na esgrima que começa a minha burrice olímpica. Tem que acender a luzinha para garantir que houve o toque, mas se houve toques recíprocos vale só o de quem estava no ataque, é assim mesmo? No judô, não distingo um ippon de um cupom. O locutor falou que houve um wazari. Houve, é? Isto não me impediu de achar muito legal a menina que saiu do Piauí para ganhar o ouro olímpico lá na terra do Big Ben e da Rainha.

Na ginástica de aparelhos, fico de boca aberta procurando entender como é que os jurados conseguem atribuir pontos na terceira casa depois da vírgula. Não interessa se foi na trave, nas argolas, no cavalo ou no raio que o parta! É como os postos de gasolina cobrando R$ 2,699 o litro, você me entende? Nunca vi uma cédula ou moedinha de R$ 0,001.

Li em algum lugar que em 2016 ou 2020 serão incluídas duas modalidades mais: o rugby (aquele negócio dos homões se jogando uns em cima dos outros pra pegar uma bola) e golfe. Força bruta individual e coletiva em um, técnica individual no outro. Vou assistir pela tevê, comendo pipoca e torcendo pelos touchdowns que certamente virão. Quem sabe terei a sorte de me deparar com um inacreditável hole-in-one?

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