Por Antonio Brasil
Hoje, Lula e sua equipe devem estar avaliando os erros cometidos nesse primeiro turno das eleições presidenciais. O que era para ter sido um “passeio” se transformou em um verdadeiro pesadelo. Lula sempre soube que precisava ganhar as eleições no primeiro turno. Uma segunda rodada o coloca em uma posição muito frágil. Sempre significa um grande risco para o governante que busca reeleição. Ele se torna alvo fácil de denúncias de quem chegou muito além do que se esperava e que não tem mais nada a perder.
A grande maioria dos eleitores demonstra surpresa com o resultado deste domingo. Ninguém “realmente” acreditava que o candidato do PSDB, Geraldo Alkmim chegasse tão longe. Os institutos de pesquisa e a cobertura da imprensa garantiam a vitória de Lula.
Mas, afinal, o que saiu errado?
Em relação ao debate, Lula cometeu um erro gravíssimo ao menosprezar o poder da TV brasileira, ou seja, o poder da Globo, para influenciar os eleitores. A Globo continua sendo um poder “convenientemente” adormecido. Mas nos últimos dias da campanha eleitoral, ficou evidente que a lua-de-mel entre a emissora líder o governo petista tinha acabado.
Se arrependimento matasse…
A cobertura passou a bater cada vez mais firme nas mazelas dos petistas. A gota d”água foi a recusa de Lula de participar do debate. Além disso, sua tentativa de manipular a mídia e criar uma expectativa sobre a sua presença até o último minuto foi obviamente um tiro que saiu pela culatra. Assim como em outras oportunidades, Lula foi mal orientado pela sua equipe de comunicação, ou o que sobrou dela. Lula está cada vez mais solitário e isolado de suas bases.
Ele deveria ter sido informado que já havia uma reversão no quadro eleitoral e que a única saída seria apelar para o seu carisma, seu poder de comunicação.
Mas, segundo o noticiário, Lula acreditou em pesquisas qualitativas que indicavam que sua ausência não provocaria perdas no índice de intenção de voto. Se arrependimento matasse…
Confiar de forma exagerada e irrestrita no oráculo das pesquisas tem sido um dos maiores erros dos nossos políticos. Todo bom jornalista sabe que pesquisa não substitui o faro ou uma certa dose de instinto inerente à própria profissão. Nem tudo se explica com índices numéricos.
Custo alto
É evidente que Lula não acreditou na sua própria capacidade de explicar ao público uma situação adversa, porém contornável. Seus eleitores aguardavam respostas. Quaisquer respostas. Mais uma vez, Lula preferiu ignorar a realidade e confiar na sorte.
De alguma forma, é uma situação semelhante à do presidente americano George Bush em relação à guerra no Iraque. O jornalista Bob Woodward acabou de lançar um livro nos EUA que descreve Bush como um político que vive em “State of Denial” ou “Estado de negação”. Ele também desconsidera o mundo em volta e prefere acreditar em assessores bajuladores que confirmam sempre uma realidade conveniente, agradável, porém, inexistente.
Lula, mais uma vez, preferiu ignorar tendências evidentes e insistiu em velhas formulas de campanhas. Essas estratégias podem ter sido bem sucedidas por outros atores políticos no passado, mas evidentemente não são suas. Lula, novamente, não resistiu à tentação de seguir os passos do seu grande mentor e guia, FHC. Se o ex-presidente não compareceu aos debates e foi reeleito no primeiro turno, Lula não teria nada com o que se preocupar. Ledo engano.
O problema é que a história tem a nefasta tendência de sempre nos surpreender. De vez em quando, “parece” que se repete. Um engano que pode custar muito caro.

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