Por Milton Coelho da Graça
“Jornalismo cidadão” vem sendo mencionado, em alguns países, não como boa designação para os blogs, mas também para outras iniciativas, que tornem os leitores também autores e não apenas através da tradicional seção de cartas opinativas.
O “repórter amador” foi muito usado aqui há algumas décadas e a idéia era convidar o leitor a telefonar imediatamente para a redação, quando fosse testemunha de algo merecedor de publicação. Havia até um jabazinho como isca. Com os celulares-câmeras, a “foto do leitor” tornou-se hoje atração regular em vários diários brasileiros, com destaque para a coluna de Ancelmo Góis, no Globo, cliente quase permanente da “cidadão press”.
Na coluna de hoje, vamos deixar de lado os blogs.
Li artigo de um consultor mexicano, Homero Hinojosa, em que ele sugere algumas idéias interessantes para os jornais ampliarem essa incorporação do leitor, avançando no caminho de um “jornalismo junto com as massas” em vez do tradicional “jornalismo para as massas”. Homero pensa como Dan Gillmor, autor de “Nós, a mídia”, onde prevê “um jornalismo mais parecido com uma conversa” e que “a linha divisória entre consumidores leitores e produtores jornalistas deixará de existir.
Muitas dessas idéias já são aplicadas parcialmente em alguns dos nossos jornais online, especialmente o UOL. Mas vamos às sugestões do mexicano:
1. Conecte notícias e acontecimentos na comunidade e no mundo com a vivência dos leitores. (nota do Milton: na redação de Le Figaro, há mais de 50 anos já havia uma frase mais ou menos assim na parede: “Para o leitor, é mais importante a morte de um gato em sua rua do que um terremoto na Índia”).
2. Desenvolva páginas editoriais exclusivamente de leitores, pelo menos uma vez por semana. Ofereça-lhes um curso editorial e uma metodologia para ajudá-los a melhorar o estilo e a forma.
3. Leve a seção de cartas a um outro nível de debate. Abra espaços para réplica, proponha um tema para discussão entre os leitores. E as páginas de cartas também a editorias como Esporte.
4. Estimule o envio de fotos e premie as publicadas.
5. Exiba no jornal e na versão online fotos artísticas feitas pelos leitores. Abra um espaço de fotografia amadora em sua editoria de Cultura, de estilo de vida ou revista dominical.
6. Incorpore os melhores colaboradores à sua redação e ensine técnicas de capacitação.
7. Considere criar “blogs” na versão online do diário. Faça um “copy” dos melhores e publique-os no jornal impresso (“do blog de Joãozinho Pereira…”).
Homero Hinojosa publicou esse artigo na revista da SIP – Sociedade Interamericana de Imprensa. Talvez eu não seja capaz de entender bem o que ele pensa, mas, por essa amostra, tendo a imaginar “jornais cidadãos” como jornais sem jornalistas. O que tem certa semelhança com idéias já em prática no Brasil. Vocês, meus jovens, que acham?
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Para colegas de hoje, ontem e amanhã
Dois livros na boca do forno, com lançamentos cariocas na mesma Livraria Argumento, no Leblon. Márcio Bueno lança “A Origem das Palavras”, um livro que deve ser ótimo para estimular vocações jornalísticas. O autor o recomenda para crianças e jovens curiosos, ou seja, com o primeiro atributo profissional. Já tenho alunos e netos na fila.
O segundo é “Lula – o início”, de meu companheiro no “Espaço Público”, da TVE, o veterano Mário Morel. Mário é filho de Edmar Morel (repórter que viu de tudo e contou tudo até o último instante de vida) e começou encarando a boa escola da editoria de Polícia de Última Hora. Caminhou por muitas redações, viu coisas que muita gente não queria que ele visse, e outras muitas gentes vão gostar que ele tenha visto. Um bom pedaço para este último grupo é seu testemunho sobre o começo da história política do presidente Lula, nas assembléias sindicais dos metalúrgicos de São Bernardo. Li as provas de muitas páginas e gostei. Para quem quer entender melhor nosso país – quem não quer? – vale a pena.
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Telemar, cadê minha ferramenta?
A Telerj pode ter sido um pesadelo para quem precisava de um telefone novo e funcionasse direito. A privatização realmente resolveu problemas, mas a Telemar, apesar das excelentes margens de lucro, é insaciável. Cobra uma fortuna pela assinatura, cuja razão nenhum suíço ou americano consegue entender… Só agora aprendeu a contar em minutos, em vez de inexplicados impulsos. E, para cobrar extorsivos 1 real e 32 centavos sempre que se liga para pedir uma informação, acabou a distribuição regular de listas completas dos telefones residenciais, como a saudosa Telerj jamais deixou de fazer. Quando manda uma lista (e há muito tempo isso não ocorre), ela só tem os telefones do meu bairro ou região.
Ô Telemar, lista telefônica é um direito secular (não tenho certeza, mas parece que Pedro II já veio com uma, presenteada por Graham Bell). E, para jornalistas, é ferramenta essencial de trabalho. Vocês não se comprometeram a manter os serviços da Telerj?

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