No dia 27 de maio, a RBS, no chamado Dia D, anunciou os nomes dos profissionais que iriam fazer a cobertura da Copa do Mundo de 2026. Um grande evento na orla do Guaíba com muita pompa e alta expectativa sobre o que ficou conhecida como a Lista do Mineiro. Vinte nomes anunciados ao vivo pelo próprio Mineiro, o gerente-executivo sênior de Esportes, Tiago Cirqueira.
Ao final, o grande fato foi sobre um nome ausente da lista: o experiente repórter José Alberto Andrade.
Com seis Mundiais no currículo, Zé Alberto era nome frequente – ou, já que estamos em tempos de Copa, figurinha carimbada – nas coberturas de Seleção Brasileira. Um dos profissionais mais prestigiados e reconhecidos do jornalismo esportivo no país, era dado como nome certo na lista da RBS – tanto que em suas entradas ao vivo na programação, especialmente no Hoje nos Esportes, fazia a contagem regressiva para o início da competição.
Nas redes sociais, a ausência imediatamente repercutiu mais que as presenças. E de forma negativa. A lista viralizou pelo que não trouxe. O like virou hate; a celebração virou crise. O que era para ser um golaço da RBS, enviando 20 profissionais para uma cobertura de Copa em três países, transformou-se em gol contra. Os esperados elogios à mobilização e ao investimento do conglomerado viraram críticas de todas as espécies. Profissionais incluídos na lista são atacados (muitas ofensas, inclusive, de caráter misógino) e expostos, o perfil da equipe é contestado e – ainda pior – produtos concorrentes são lembrados e valorizados.
Seguiram-se dias e o gerenciamento de crise não entrou em campo. Os chats dos programas esportivos foram ocupados pelos questionamentos. Embora aparentemente tenha mantido seu conhecido profissionalismo e seguido sua rotina, o próprio Zé Alberto não assimilou o golpe, como revelou sua frase “tiraram meu sonho”, dita em um Sala de Redação.
O Grupo RBS domina a comunicação no Rio Grande do Sul, e a Rádio Gaúcha é uma marca nacional de jornalismo construída ao longo de décadas por profissionais como o Zé Alberto Andrade. Mas, mais de 10 dias depois do Dia D, ainda não conseguiu equalizar a narrativa.
No primeiro programa transmitido ao vivo pela equipe da Copa, o Bate-Bola de domingo à noite, dia 7, mais de 90% das centenas de interações no YouTube (posteriormente apagadas) foram relacionadas à ausência do Zé Alberto. Raras foram as menções valorizando a equipe presente ou a iniciativa da empresa, ou ainda comentando sobre a Copa do Mundo, Neymar etc. Como reverter essa narrativa e virar esse jogo é o grande desafio deste início de Copa para a RBS. Porque até agora a lista do Mineiro tem se revelado uma fria tão grande quanto as margens do Rio Hudson em um domingo, 7 de junho, à noite.
Eduardo Correia é jornalista.


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