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Por Luiz Garcia

Como todo mundo já disse tudo que era importante dizer sobre as conseqüências óbvias da política econômica do governo Bush – uma variante do velho laissez faire, adequadamente conhecida como laissez les amis fairent – talvez seja desculpável cuidar de assuntos menos bombásticos e mais paroquiais.

Outro dia, Jorge Bastos Boreno revelou que o ministro da Educação, Fernando Haddad, está animado para mexer no vespeiro dos cursos de jornalismo, permitindo o exercício da profissão a quem tenha diploma superior em outra área.

Como todo mundo está exausto de saber, e diferentemente do que acontece nos países menos sofisticados do Hemisfério Norte, as leis brasileiras exigem diploma universitário de jornalismo para a prática da profissão. É uma tolice, por motivos elementares. O ofício tem duas exigências essenciais: a capacidade de identificar e colher fatos de interesse público, e uma mistura de talento e técnica para repassá-los, com clareza e precisão, à sociedade.

Um curso de jornalismo realmente pode ensinar técnicas de redação, o que não é nada complicado a seus alunos. Mas, se existe a vocação – e principalmente se o jovem traz de casa o hábito da leitura – qualquer jovem pode dominar essa área em estágio de poucos meses numa redação de jornal ou revista. Se não pode, é bem possível que ele tenha escolhido o sonho errado.

E quem levar para a redação teórica e ou experiência em outras áreas poderá ajudar o leitor a entender esta complicada sociedade e esses atribulados tempos em que vivemos.

Haddad está certo: abrir a porta para profissionais com formação em economia, ciência, política, sociologia, medicina et cetera só pode melhorar o produto final.

O projeto do ministro prevê um cursinho de capacitação profissional. Não será má idéia, experiências de empresas jornalísticas e organizações da classe. Existem iniciativas de alto bom nível. Também vale a pena chamar para a discussão escolas de comunicação social. Nem todas são do tipo pagou/passou.

A propósito, e independentemente desse projeto do ministro, suas idéias para o setor de comunicação bem poderiam incluir uma fiscalização mas severa da qualidade e dos métodos de ensino das faculdades de comunicação. Principalmente daquelas que escancaram as portas para a admissão de candidatos e são impiedosas na eliminação de quem não agüenta o tranco das mensalidades.

Haddad afirma que não pode eliminar a exigência de um diploma de curso superior devido á fragilidade do ensino fundamental e do médio. O diagnóstico está certo, mas não faz sentido a conclusão de que, caso o canudo não fosse obrigatório, as empresas jornalísticas seriam inevitavelmente invadidas por profissionais incapazes.

Afinal, em qualquer situação, o patrão só emprega quem quer – e não precisa da ajuda de lei ou regulamento que lhe exijam só contratar mão-de-obra competente ou, pelo menos, promissora.

 

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