Por Ivan Carneiro Gomes
Talvez algum príncipe de um reino distante tenha passado pela capital gaúcha para comemorar os 240 anos da cidade neste dia 26 de março de 2012 e viu tudo diferente. Jornais, rádios, TVs e redes sociais só falam das belezas e maravilhas da cidade. Nomes famosos e nem tanto comentam seus pontos de preferência, restaurantes da melhor culinária, locais de atração turística. Ah! E o por-do-sol, o mais belo do planeta.
Artistas, poetas e escritores passam os melhores momentos num deleite incomparável de uma cidade-referência global. Como num passe de mágica, todos os ‘problemas menores’ que vão da mobilidade urbana, um trânsito caótico, um deficiente transporte público ou a cloaca do arroio dilúvio foram varridos do mapa. A ordem é só ver o lado bom, o que é positivo para o aniversariante. O lixo, crianças e adultos abandonados, a periferia pobre, a carência de serviços públicos, a insegurança para se andar nas ruas, a falta de leitos nos hospitais, tudo fica fora do script. Afinal, já que não podemos resolvê-los, vamos esquecê-los pelo menos por um dia. Enfim, Maria Rita cantou Elis Regina no anfiteatro Por-do-Sol, o Theatro São Pedro continua lotado, baladas seguras e inseguras continuam sendo a preferência dos jovens da classe média.
E já que está tudo bom e perfeito, não é preciso fazer mais nada. Apenas imaginar que chegamos a um futuro pela via fácil do esquecimento das questões cruciais que poderiam ter sido resolvidas ontem para que hoje pudéssemos realmente desejar um Feliz Aniversário a esta querida cidade!

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