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O Brasil de Lula e de Suzane Von Richthofen

Por Glauco Fonseca A pauta no país é a mentira. Mente-se no Congresso, nos palácios, nas granjas, nos bancos, nos correios, nos partidos. Mentir …

Por Glauco Fonseca

A pauta no país é a mentira. Mente-se no Congresso, nos palácios, nas granjas, nos bancos, nos correios, nos partidos. Mentir virou esporte nacional. A mentira está na moda, patrocinada até por tribunais, autorizando ou a mentira ou a negação, como arma que o mentiroso pode empunhar em nome das liberdades individuais invioláveis segundo a constituição (a mesma que diz no Art. 7o – IV – salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social…).

Não é a primeira vez que falo sobre mentira. Entretanto, o volume e as possíveis conseqüências estão ficando assustadores. Vejamos o caso da Suzane Von Richthofen. Ela foi mentora e co-autora de assassinato de seus pais por motivo torpe, junto com os irmãos Cravinhos (que nome mais singelo para homicidas). Alugou um advogado cujo apelido é Deni, um nome, aliás, cuja grafia semelhante em inglês – deny – significa negar. Deni nega culpa de Suzane, que nega sua paixão pelo Cravinho e ambos, com a ajuda inestimável do nobre causídico, só falta negarem o crime em si.

Seria tudo isso uma afronta ao bom-senso nacional, não fosse o contexto altamente promissor para se mentir, negar, esconder, falsificar, roubar e matar que se instalou no Brasil do PT. Suzane, capturada na mentira, nos assusta, nos assombra, pela indicação de que o rumo pode ser ainda mais perigoso do que pensávamos, pela sugestão de que podemos ainda não ter atingido o clímax possível em termos de falsidade ideológica de pessoas, partidos e governos.

Talvez pela crença antiga de que Deus é brasileiro e de que realmente esconde-se nos detalhes, estamos com alguma sorte, pois hoje a mentira é desbaratada mais rapidamente do que antes. Uma câmera que flagre um assessor achacando um bicheiro, um microfone que tenha ficado aberto “inadvertidamente” na lapela de um advogado carinhoso com sua cliente, um caseiro vaidoso que, mesmo que sem motivo que não um senso de ética e patriotismo fora do comum, delata façanhas do mais poderoso ministro do governo federal, a vingança descontrolada de um Roberto Jefferson, provavelmente motivada por valores prometidos e não recebidos, tudo é um grande complô que estilhaça as vidraças do governo do partido dos trabalhadores. Tudo leva a crer que ou as coisas rumam para um desastre social ou para a escassez acentuada de vagas nos presídios nacionais.

Suzane está presa de novo, por ter matado e mentido. Ela e o “Deni” erraram a mão, denunciados pela falta de lágrimas e de vergonha na cara. Dá pra entender agora que o contexto é o mesmo? É a mentira alastrando-se pandemicamente, autorizando camadas diversas da população a aventurarem-se pela seara da ilegalidade impune, tendo como alento a permissividade do poder público para consigo mesmo e, por conseqüência, para com a sociedade em vias de corrupção e falsificação de suas relações.

A ética e a ordem moral estão sendo seqüestradas diariamente.

O resgate, no entanto, é alto, mas ainda dá pra pagar.

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