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O caos de todo dia

Por Antonio Avellar É falso, é demagógico, é oportunismo barato as reações que certas autoridades e de uma dúzia de especialistas do efeito da …

Por Antonio Avellar

É falso, é demagógico, é oportunismo barato as reações que certas autoridades e de uma dúzia de especialistas do efeito da desordem, quando opinam diante o brilho dos holofotes da TV, sobre mais um episódio de grande comoção nacional. Há no meio desses “especialistas” aqueles que, incitados por uma resposta imediata da grande imprensa, fazendo juízo de valores, remetem à lei do Talião, ou seja, olho por olho e dente por dente. São verdadeiros hipócritas, porque sabem que este tipo de julgamento já é aplicado com muita freqüência nas camadas mais miseráveis da população, mas fingem não tomar conhecimento, pois assim permanecem na pista toda vez que houver um fato anormal e de clamor público.

A rigor, todos os dias o País dorme, ou acorda, debaixo de um fato surpreendente que, dependendo da importância de cada caso, da região onde ele aconteça e do interesse da mídia, pode ganhar um status de tragédia ou não. É preciso mudar esse conceito alarmista de classificar os fatos, porque seja qual for o grau da violência, ela não é só maior quando é visível a olho nu, ou quando se transforma numa comoção coletiva. No caso dos indiozinhos da reserva de Dourados, no Mato Grosso do Sul, bebês de um mês, seis meses e meninos de três e 5 anos vêm sendo ano a ano exterminados pela desnutrição e indiferença dos governos, como não existe comoção coletiva, não se enquadra como uma violência cruel?

Nestes últimos 43 anos, a política de segregação social brasileira produziu 34 milhões de jovens nas diversas faixas etárias, sem beiras, sem eiras e sem horizonte algum, enquanto a máquina do Estado continua sendo azeitada para concentrar mais riquezas nos bolsos e nas contas dos mesmos grupos econômicos de sempre nos paraísos piratas. Será que essa desigualdade também não é uma forma de violência?

Os governantes brasileiros nas suas várias esferas, se querem salvar suas cabeças, precisam urgentemente acordar para essa triste realidade, e pararem com a velha e feia mania de investir o dinheiro público em obras de fachadas, ou de apelo eleitoral. O futuro não se constrói com shows pirotécnicos, Jogos Pan-Americanos, Copa do Mundo e Olimpíada, mas investindo maciçamente e com transparência na educação, saúde, habitação e trabalho.

Fora disso é a política miúda de sempre, que tem como conseqüência o caos nosso de todos os dias.

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