Por Gabriel Carneiro Costa
O mundo foi informado de que o grande mito e idealizador da Apple, Steve Jobs, deixa o cargo máximo de liderança. Desta vez, não está sendo expulso da empresa como ocorreu na década de 80. Está saindo no auge da trajetória da Maçã Mordida, e por escolha própria.
Chamou minha atenção o fato de Steve Jobs, mais uma vez, ter criado uma aura emocional em torno de sua decisão. Jobs trabalhou obsessivamente por um sonho, com ele engajou pessoas, e nos anos 90 provocou o mundo com o slogan “think different” (pense diferente). E como todo líder, também deixou pessoas incomodadas ao trabalharem com ele.
Sob análise mais comportamental e menos técnica, Steve Jobs reinventou o jeito de se pensar as coisas. Quando o mundo festejava a chegada do futuro com computadores austeros e de difícil manuseio, a Apple lançava o Macintosh, de fácil interface, formato simples e colorido. Quando a discussão digital era a pirataria na internet, a Apple lançava o iPod e em seguida a App Store, mudando a forma de se consumir música. À corrida dos celulares com cada vez mais recursos, Jobs respondeu com o iPhone. E por fim, enquanto os notebooks ficavam menores, a Apple aumentava o telefone celular e lançava o iPad.
Ainda que estes produtos tenham nascido do empenho de um grupo, é notável a capacidade de um homem de liderar o processo com tal maestria. Estamos carentes de líderes que, embora sejam taxados de loucos, revolucionem a forma de pensar. Podem ser arrogantes, mas dominam a defesa de um pensamento. São tidos como difíceis, mas estimulam a ousadia no trabalho no lugar do tédio. Agora, Steve Jobs deixa uma nova questão: Uma marca que é ícone emocional conseguirá ter DNA próprio e ser autosustentável como o gênio criativo do seu condutor? Tim Cook manterá a inovação e o encantamento da Apple? E Steve Jobs irá se perpetuar não tendo mais a palavra final sobre sua obra maior?
O tempo irá nos responder. Até lá, só nos resta dizer “Thank you for your job, Steve!”.

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