Por Poti Silveira Campos
Produzida por brincadeira pela estudante americana Karen Owen, 22, uma apresentação em Power Point sobre a performance sexual de 13 de seus colegas está sendo considerada, pela imprensa dos Estados Unidos, como um escândalo da Universidade Duke, em Durham, na Carolina do Norte. Para jornais – incluindo The New York Times – e redes de TV, o episódio demonstra o poder da Internet para causar problemas e denegrir imagens por falta de privacidade.
As reportagens abordam principalmente o suposto constrangimento de estudantes da Duke e da própria instituição, além de associar o acontecimento ao cyberbulling registrado, no início de outubro, na Universidade Rutgers, em Nova Jérsei. Lá, um estudante gravou e exibiu na Internet os encontros sexuais de um colega com outro homem – o colega se matou. Tratam-se, no entanto, de situações diferentes.
Em Duke, Karen diz que não tinha a intenção de espalhar o texto além do círculo de amigas mais próximas – ou seja, isto vai além de uma piada de mau gosto? Em Rutgers, temos um escândalo realmente preocupante. Em ambos os casos, no entanto, está indicada a necessidade da educação para o mundo online. Usos desastrados da rede são registrados todos os dias nos mais diversos setores.
Karen transou com 13 atletas da Duke nos últimos dois anos. No documento que produziu – 42 slides – sobre o “desempenho acadêmico horizontal”, com nomes e fotos, avaliou quesitos como atrativos físicos, tamanho do pênis, talento para a atividade sexual, criatividade, agressividade na sedução, entretenimento oferecido e habilidade atlética. Em um último item, denominado Bônus, o homem poderia ganhar pontos por ter sotaque australiano, por exemplo, ou perder por ser rude ou canadense.
Alguns tiveram excelente pontuação. Outros deixaram a desejar e receberam notas muito baixas – e estes talvez se considerem mais vítimas do que os demais. Depois, Karen distribuiu o arquivo para amigas. As amigas também têm amigas que têm amigas. A coisa se propagou com velocidade de banda larga. O dossiê fez sucesso na Internet – afinal, sexo é uma pauta que sempre tem bons índices de leitura.
Corda em casa de enforcado
A repercussão do dossiê de Karen teria sido a mesma se a assinatura do trabalho fosse masculina? Vale lembrar que, em 1977, duas mulheres do prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) publicaram uma pesquisa similar, classificando a metodologia sexual de 39 rapazes de cursos da graduação da universidade. O relatório apareceu em um jornal alternativo sob o título Guia do Consumidor sobre os Homens do MIT. As autoras alegaram que tinham a intenção de mostrar como as mulheres se sentem ao serem transformadas em objetos sexuais. Terminaram afastadas da universidade durante 10 meses e receberam observação negativa nos registros acadêmicos.
Importante ainda ressaltar que o comportamento sexual dos rapazes é assunto delicado na Universidade de Duke. Não se fala em corda em casa de enforcado. Há quatro anos, três integrantes do time masculino de lacrosse – um esporte popular nos Estados Unidos – foram alvo de uma acusação falsa de estupro. As acusações foram retiradas um ano depois e o promotor no caso perdeu a licença de advogado.

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