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O escritor fantasma e as assombrações de Polanski

Por Carolina Zogbi Nesta sexta-feira (28/05) estreia nacionalmente o novo filme do diretor franco- polonês Roman Polanski, “O escritor fantasma” (The ghost writer, 2009). …

Por Carolina Zogbi

Nesta sexta-feira (28/05) estreia nacionalmente o novo filme do diretor franco- polonês Roman Polanski, “O escritor fantasma” (The ghost writer, 2009). Vencedor do Leão de Prata de melhor direção na 60 Berlinale (Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro), a película com mais de duas horas de duração é baseada no livro de Robert Harris e conta a história de um escritor contratado para escrever as memórias de um primeiro ministro britânico, mas acaba envolvido em um complicado e sujo jogo político.

O polêmico cineasta terminou o longa quando estava preso na Suíça, devido a uma acusação de pedofilia feita há mais de trinta anos nos Estados Unidos. O curioso é que esta prisão foi efetuada na Europa, justamente no momento de conclusão do filme, já que ele estava impedido de entrar nos EUA por ser foragido da polícia desde 1978, o que também o impossibilitou de receber seu Oscar pelo filme “O pianista”, em 2003. Mesmo com a prisão, Polanski terminou a película, que alfineta o Estado norte- americano.

A todo momento o protagonista interage com o clima sombrio: chuvoso ou frio, como é de praxe nas produções do diretor. Apesar dos atores não serem anônimos, como acontece na maioria de seus trabalhos, desta vez o elenco foi escolhido para criar uma caracterização com o público a partir do que se conhecia: Pierce Brosnan (ex 007), como primeiro ministro britânico, que se envolve em uma atividade ilegal, casado com Olivia Williams (X-men); Ewan McGregor (Star Wars) vive o escritor americano que é obrigado a participar e colaborar com o que julga errado; e Kim Cattral (Sex and the city), como a secretária fiel do político. A escolha desses atores ambientaliza o espectador na trama e ajuda a criar as características de cada um.  Da mesma forma acontece com a trilha sonora, que apesar de deixar a desejar, e em alguns momentos até submete a idéia de fazer parte de algum blockbuster, como o conhecido “Esqueceram de mim”, foi propositalmente feita para criar essa sensação de tratar-se de um filme americano.

Um filme político, com conteúdo e que mostra o poder e a influência dos Estados Unidos, dos jogos de poder, da manipulação  e da espetacularização midiática. Tudo a ver com Roman Polanski, como os momentos que deixam a trama de lado e abordam questões subjetivas, provocando uma reflexão no espectador. Mas muitos elementos não condizem com as características do diretor, como a escolha dos atores: a liberal personagem de Sex and the city é uma contradição, uma mistura de gêneros. E é isso que ele pretende: criar um debate interno e muitas dúvidas.

O final do longa é a assinatura do diretor, e esta cena ganha por  todo o filme… O cineasta deixa sua marca registrada criando a dúvida, o suspense e o principal: a perturbação psicológica, sem precisar do uso de imagens para isso.

Todo o enredo do filme pode ser relacionado com a vida do próprio Roman. Inquietações que sofre com a polêmica que envolve sua vida, a perda de sua mulher, assassinada brutalmente em Los Angeles, seu passado de denúncias e sua fuga  dos Estados Unidos. É uma relação que mesmo após tantos anos e da distância ainda assombra a vida do cineasta.

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