Por Fabio Arruda Mortara O mercado gráfico sequer explorou todas as possibilidades da tecnologia digital e cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, já anunciam o desenvolvimento de um novo processo baseado na nanotecnologia. A impressão em nano-escala, por um método de micro-deslocamento, é de altíssima precisão e baixo custo e pode ser aplicada, por exemplo, na produção de rótulos, conforme as promessas de seus criadores.
Se a novidade – anunciada no site da Pira Internacional, um dos mais conceituados conteúdos sobre indústria gráfica – irá ou não se converter em alternativa prática para o mercado, somente o tempo dirá. O exemplo, contudo, ilustra a velocidade com que se renovam as tecnologias no mundo contemporâneo. O conhecimento da presente civilização dobra em prazos cada vez menores e se constitui em fator cada vez mais condicionante ao desenvolvimento, conforme relataram as “Novas Teorias de Crescimento”, de Paul Romer e colaboradores (Chicago, EUA). Até então, o conhecimento era considerado variável exógena à teoria econômica. O desafio de profissionais, empresas e nações é justamente o de conseguir acompanhar o ritmo da inovação e, de preferência, agregá-la como diferencial competitivo. Melhor ainda é ser o dono da idéia, o detentor da patente.
Pouca gente sabe, mas o Brasil está entre os 30 maiores exportadores de tecnologia no mundo. Auspicioso? Nem tanto, pois o número de patentes depositadas é de apenas duas para cada milhão de habitantes, ante 944 no Japão, por exemplo. Além disso, 99% das patentes pertencem a corporações multinacionais das nações do G-7. Assim, a despeito do inegável progresso da produção científica nacional nos últimos dez anos e de avanços como a Lei da Inovação, a verdade é que o País ainda precisa caminhar muito em P&D e, sobretudo, na aplicação prática, no chão de fábrica, do conhecimento desenvolvido na academia.
O Brasil, assim como várias outras nações emergentes, ainda se mostra indeciso em termos de políticas públicas no campo da educação e do conhecimento. Parece ter continuidade por aqui o dilema desencadeado no Banco Mundial em 1980, quando os então jovens economistas indicados pelo ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan estabeleceram a doutrina de que, no caso das nações periféricas, a educação fundamental apresentava taxa de retorno muito maior do que a do ensino superior e o de tecnologia.
Foi o suficiente! Os Estados latino-americanos excluíram a universidade de suas prioridades. Isto ficou muito claro na gestão do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso e também no atual governo brasileiro, cuja maior ousadia na área acadêmica foi a questionável instituição das quotas étnicas e a compra de vagas em instituições particulares de ensino superior. O Brasil fica patinando nas incertezas ideológicas, como se fosse impossível desenvolver uma política educacional consistente, abrangente e articulada, desde a alfabetização de crianças até a formação de doutores e pesquisadores.
É desejável e possível democratizar oportunidades com ensino público de qualidade para crianças e adolescentes e, ao mesmo tempo, criar condições para que a academia cumpra de forma ampla e irrestrita o seu papel na formação de recursos humanos e na área da ciência e da inovação. Enquanto se perdem preciosos anos na análise de um falso dilema, mantêm-se os gargalos na estrutura da educação, com um fator agravante: os altos preços da propriedade intelectual oneram e retardam o acesso dos setores produtivos à tecnologia de ponta e da população aos direitos essenciais da cidadania, como a saúde.
Tais dificuldades são muito claras para instituições responsáveis pela difusão de P&D em seus respectivos setores de atividade. Para os manter atualizados em termos de conhecimento é necessário imenso esforço. Este empenho, porém, é fundamental, à medida que ajuda a garantir níveis mínimos de competitividade. É o caso da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG), responsável pela difusão tecnológica para a indústria gráfica. E lá vamos nós em busca da nanotecnologia.

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