Por J. A. Moraes de Oliveira A notícia ocupou apenas uma coluna na primeira página do The New York Times, mas com certeza provocou calafrios de emoção em duas ou três gerações de saudosistas e bon vivants: no 65º andar, no mais alto do Rockefeller Center, o lendário Rainbow Room está ameaçado de fechar as portas. A família dos Cipriani, que comprou o restaurante, fundado em 1934, hesita em aceitar o novo aluguel, de 6 milhões de dólares.
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Nas opulentas mansões dos Hamptons e de Beverly Hills, senhores e senhoras de cabelos grisalhos devem ter suspirado ao recordar os acordes das big-bands dos anos 50, que os fizeram rodopiar pela pista cor-de-abóbora, iluminada pelo grande candelabro de cristal. Ali soaram os metais e cordas de Tommy Dorsey, Benny Goodman, Glenn Miller e Lionel Hampton. Nos microfones banhados a ouro de 18 quilates, cantaram Frank Sinatra, Rosemary Clooney, Nat King Cole, Tony Bennet – uma lista que é uma verdadeira galeria da fama do século XX.
Também é interminável a lista de ricos e famosos que se revezavam nas mesas sobre deslumbrantes vistas de Manhattan, para bebericar champanha e saborear caviar Beluga, após os shows da Broadway. Reza a lenda que, certa noite, John Wayne e John Ford foram barrados na portaria, pois o primeiro calçava botas sujas de barro. E que Marlene Dietrich recusou meia dúzia de garrafas de Taittinger Brut Réserve, até que lhe servissem uma ao seu agrado.
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Se a familia Cipriani, que administra os restaurantes mais caros do planeta, entregar as chaves do Rainbow Room e os donos do Rockefeller Center alugarem o espaço para escritórios comerciais, será mais do que um efeito da crise econômica, que já começa a esvaziar alguns dos mais caros e chiques restaurantes de New York.
Na verdade, o Rainbow Grill, que teve chefs badalados como Anthony Bourdain e Waldy Malouf, já não estava recebendo as habituais resenhas elogiosas dos críticos de gastronomia. Até mesmo turistas, atraídos pela fama e pelas vistas panorâmicas da cidade, reclamavam da comida e dos preços astronômicos.
Mas, acima de tudo, podemos estar assistindo ao desaparecimento gradual do lifestyle que sobrevive em lugares esparsos do globo. Meses atrás, a poucos quarteirões do Rockefeller Center, um outro monumento dos tempos dourados, o Plaza Hotel, reabriu suas portas após uma renovação de milhões de dólares. Com metade de seus apartamentos vendidos para ricaços de Wall Street e do Oriente Médio.
Mas uma desagradável surpresa estava reservada aos novaiorquinos de bom gosto – o Oyster Bar estava fechado. Por décadas, foi um dos mais agradáveis lugares de Manhattan para terminar o dia, frequentado por executivos de publicidade, designers de moda e damas da alta-sociedade.
Um colunista do New Yorker escreveu que os grandes méritos dos bares do Plaza eram a decoração ao estilo eduardiano e os impecáveis maitres e garções, mas antigos frequentadores ainda suspiram, ao lembrar suas Oysters Rockfeller, apresentadas em bandejas de prata. E habitualmente servidas com um impecável dry-martini, que nada ficava a dever ao do Harry”s Bar de Florença.
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Se, por um improvável capricho dos céus, Zelda e F. Scott Fitzgerald, Truman Capote, Cary Grant e Alfred Hitchcock voltassem a New York, onde iriam jantar e bebericar seus dry-martinis?

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