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O fio de ouro na faixa presidencial

Por Ivan Carneiro Gomes “…Aliás, pela qualidade dos nossos presidentes, um fio de ouro nem fará falta na faixa presidencial”. (Bordadeira de Itapetinga/BA). O …

Por Ivan Carneiro Gomes

“…Aliás, pela qualidade dos nossos presidentes, um fio de ouro nem fará falta na faixa presidencial”. (Bordadeira de Itapetinga/BA).

O tema poderia passar despercebido nos nossos noticiários televisivos, não fosse o comentário acima bem-humorado e despretensioso de uma bordadeira do município de Itapetinga, na região nordeste da Bahia, com 55 mil habitantes, cujos empresários estão oferecendo a doação de uma faixa presidencial sem o custo de R$ 38 mil que o governo pretende pagar.  O município, que é conhecido no Brasil e no exterior pela excelência dos seus bordados, apareceu na reportagem de fechamento do Jornal da Band da última segunda-feira (09/01), com destaque pela generosa oferta dos empresários para fazer uma economia aos cofres públicos. Eles querem cobrir os custos de R$ 7 mil pelo material e mão-de-obra, utilizando um fio que imita o ouro, mas dá à faixa presidencial um efeito de grande qualidade e destaque. Pelo edital da União, a nova faixa presidencial (alega-se que a antiga está gasta pelo uso) deve ser confeccionada com fio de ouro, seguindo uma série de recomendações sobre tamanho e material a ser utilizado.

O que poderia servir como tema-chave para um debate nacional sobre nossas instituições e sistema político, levanta uma interessante reflexão sobre os nossos símbolos tradicionais (a bandeira, a faixa presidencial), que eram revestidos de grande cerimônia e dignidade em atos de posse. Até porque, chegar a determinados cargos públicos, como a presidência da República, exigia qualificação e empenho que poucos tinham condições de alcançar. Pois neste Brasil de 2006 de tantos escândalos, corrupção política e falcatruas, no entendimento dessa modesta bordadeira de Itapetinga, não há mais necessidade de fio de ouro em faixa presidencial. Até porque talvez os representantes do povo não sejam mais dignos o suficiente para receber tal honraria. 

É interessante meditar sobre a sabedoria dessa bordadeira baiana que, na sua simplicidade, parece nos dizer com clareza: vamos deixar de bobagens; do jeito que a situação está neste país, qualquer faixa serve. Até um fio imitanto ouro!

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