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O impulso para a comunicação local

Por Cristiano de Castro, para Coletiva.net

Quando Andy Warhol, célebre pintor norte-americano, nos alertou que no futuro todos poderiam ser uma celebridade instantânea tendo seus 15 minutos de fama, é provável que jamais tenha imaginado um processo tão rápido e que, sob certo aspecto, a internet, a disseminação da telefonia celular e das tecnologias embarcadas nos telefones, pudessem proporcionar essa evolução da humanidade. 

Tudo bem que não são só os sites e as pesquisas que foram facilitadas. Também foram demasiadamente expandidos o desenvolvimento das redes mundiais e as conexões. Mas o que se viu até agora, além de uma expansão tecnológica e de comunicação inimagináveis, foi uma super concentração de renda também. 

Em um mundo pós-Warhol os grandes provedores de internet concentram renda maiores que grandes empresas de ramos siderúrgicos, automobilísticos e de alimentação. Acontecerá quem imagine que existe a possibilidade de um compartilhamento de receita e trabalho. Uma sociedade só tem vida, efetivamente, se convergir com ela mesma. Se ela mesma se pautar. Mas, como assim se pautar?

Independentemente do que aconteça nos grandes centros urbanos e cidades com poder de decisão mundial, são as coisas que acontecem na vizinhança, no bairro, aquelas que efetivamente apresentam maior relevância para a vida de todos nós.

A comunicação local é por demais relevante e subestimada. Damos importância e recebemos as notícias de altas esferas do governo, de nossos clubes de futebol, de tecnologia, de coronavírus e, muitas vezes, esquecemos do local onde vivemos. Isso inclui nossa rua, nosso bairro, nosso posto de gasolina, os pequenos mercados próximos, nossos campinhos de futebol e a pequena, e não menos importante, farmácia.

Alguns sistemas que se especializaram em qualificar a área empresarial sabem bem disso. Em sua campanha de internet o SEBRAE utilizou como argumento de atração da mensagem. “Os pequenos negócios dão cor e vida à região onde você mora. Quanto mais fortes eles são, maiores são as oportunidades para você e o seu bairro”.

Em tempos de pandemia isso nunca foi tão verdade. São os negócios de seu bairro que dão o primeiro emprego para muitas pessoas da localidade, distribuem renda e movimentam a economia, gerando mais riquezas e mais desenvolvimento para todos.

Os negócios locais, as vendas, os postos de combustíveis, os pequenos mercados, as padarias, as praças e as brincadeiras de criança são feitas localmente, não nos grandes centros de decisão mundial, pois aqui vivemos.

Os municípios são compostos por ruas e avenidas, e cada rua de cada município tem vida própria pautada. E não tem possibilidade de que cada pessoa acompanhe efetivamente sua vida, pois a informação local que é relevante é deixada de lado. 

 

Cristiano de Castro é empresário de Comunicação.

 

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