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O Inter perdeu sua alma

Por Antonio Oliveira Um jogador de futebol xinga de filho da p…um torcedor que cobra dele mais empenho em campo, numa demonstração de que, …

Por Antonio Oliveira

Um jogador de futebol xinga de filho da p…um torcedor que cobra dele mais empenho em campo, numa demonstração de que, além de não estar jogando nada, está emocionalmente desequilibrado, e  o que se vê, em vez de uma crítica ao comportamento do atleta, é um elogio do dirigente, dizendo que é melhor do que baixar a cabeça. Convenhamos.

É uma prova que as coisas no Beira-Rio estão bem piores do que se poderia imaginar. Na minha opinião, o tal dirigente, ao invés de defender o pseudo atleta, tinha é que apoiar o torcedor, que expressou a sua indignação pela vergonha que sente depois de perder um Gre-Nal em casa e para a metade do time titular do Coritiba. O jogador, por mais importante que seja, não é e nunca será um patrimônio maior que os torcedores de um grande clube.

Eu era apenas um menino. Tinha 12 anos. Em 1957, pouco tempo depois de chegar a Porto Alegre, quando, muito assustado, acompanhei meu irmão mais velho ao meu primeiro Gre-Nal, no Estádio dos Eucaliptos. Meu Deus ! Eu nunca tinha visto tanta gente reunida num lugar só. Gente espremida contra a tela. Gente louca. Gritos. Assustador !

Bem diferente dos jogos do Vitória, que eu acompanhava no campo dos fundos da igreja do Mirim, em Santa Catarina. Onde também havia muita gritaria e ninguém ganhava do nosso time ali dentro. Havia jogadas violentas, mas não como as que via no meu primeiro Gre-Nal. Até lembrei que o nêgo João Paulo poderia ter uma chance naqueles times.

Ele também era muito bom. Era o jogador que eu queria ser quando guri.

O problema era que ele fumava aquelas coisas verdes e depois saia que nem louco caminhando pelos matos, pelos morros do Mirim. Desaparecia por uns tempos. Era famoso em toda a região. Mas jogava muito.

No decorrer do jogo, meu medo foi se transformando em paixão. Na medida em que via a bola rolando com incrível facilidade no toque rápido entre Bodinho, Larry, Ivo Diogo, etc, meu coração foi se entregando, cada vez mais. E para sempre. E Florindo lá na zaga. Que maravilha !. Chegou até a botar um curativo branco amarrado na cabeça devido a um choque com o negão Juarez, o Tanque, mas não desistiu.

Seguiu lutando até o fim. Podia perder, mas nunca parava de brigar em campo. Tinha vergonha na cara.

Sai do estádio com um empate de 1 a 1, mas, por mais incrível que pareça, eu não estava triste. Tinha assistido a um jogo bonito, que me enchera de alegria. E se eu já tinha uma tendência a torcer pelo clube do povão, sai dali convicto. Eu era mesmo colorado. Que garra que tinha aquela time. Mesmo tendo perdido o jogo. Era bonito de se ver.

Era um tempo em que os jogadores de futebol tinham vergonha na cara e quando perdiam um jogo ficavam trancados dentro de casa, não saiam à rua. Hoje, eles perdem e vão depois para a gandaia, como se nada tivesse acontecido de anormal. Sem contar que naqueles tempos em que honravam a camiseta que vestiam, ganhavam um por cento do que ganham os jogadores de hoje.

Nunca é demais lembrar Nelson Rodrigues, que disse que no futebol quem ganha e quem perde é sempre a alma. O Inter de hoje, vê-se em campo, é um time sem alma. O inter perdeu sua própria alma há muito tempo e não consegue reencontrá-la.

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