Durante a contextualização histórica do turismo, é notório compreender dois aspectos essenciais: a comunicação e a mobilidade como partes da natureza humana. Por séculos, os viajantes atravessam as fronteiras ou continentes, fornecendo à história relatos das suas experiências. A relação entre as descobertas e os conhecimentos adquiridos durante as viagens tornaram o turismo um fenômeno multicultural e, de certa maneira, essencial às vivências sociais e emocionais.
Entende-se que os viajantes compõem o processo de aprendizado, pois percebem a jornada turística com aspectos mágicos e imaginários, ou seja, a prática gera a imersão na cultura alheia, transformando-o em um viajante híbrido, aquele que detém, através das suas experiências turísticas, o seu modo de enxergar o mundo. Portanto, é sabido que o turismo propõe tendências econômicas e a abertura de nichos de mercado que se alinham com os objetivos de consumo dos viajantes, sendo o mais importante deles: suprir suas necessidades sociais, culturais e emocionais.
Um pouco da história da prática: no século XVI, os guias de viagens tinham como trabalho reunir todas as informações necessárias para que pudessem informar e vender de modo atrativo os destinos turísticos. Usavam a história e os comportamentos sociais nos discursos turísticos e vendáveis. No período moderno, os guias acompanham a elite nas viagens, pois conhecimento e educação se poderia comprar e obter por meio monetário.
No século XIX, com o surgimento dos termos “turismo” e “turista”, esses foram relacionados aos Grands Tours, uma vez que os guias ampliaram seu escopo e começaram a demandar outros tipos de viajantes. Naquela época, além da captação de serviços pela atratividade turística e pelo valor monetário cobrado, o guia que possuísse maior conhecimento histórico sobre lugares e monumentos e sobre a logística de hospedagem e alimentação, bem como os que traçaram a rota mais confiável e prazerosa, conquistaram diversos viajantes.
Com o aperfeiçoamento da relação entre guias e turistas, a prática ascendeu, impactando uma nova lógica de recepção e acolhimento das agências e dos destinos turísticos. Como nesse período já havia a criação dos pacotes turísticos, foi desencadeada a construção e modernização de hotéis e restaurantes e a ampliação tática de canais de recebimento de viajantes, como portos e estradas.
Através do turismo, foi possível ao viajante buscar o enigmático e surpreendente desafio multicultural. Com o passar do tempo, não apenas a burguesia era contemplada pelo turismo, mas as grandes massas. Ao final do século, passaram a frequentar campings em Londres e albergues na Áustria. (PANAZZOLO, 2016).
Segundo Panazzolo (2016), após a Segunda Guerra Mundial, houve o crescimento e desenvolvimento do setor turístico e a ampliação no número de viajantes pelo mundo todo. Esses fatores iam de encontro à saciedade pelo desejo e aquisição de viagens, a fim de conhecer novas culturas.
Para Wainberg (2003), o processo de desenvolvimento mercadológico permitiu o desenvolvimento da indústria turística, com o avanço das comunicações, e do transporte de grandes fluxos imigratórios, o que promoveu a mobilidade entre fronteiras, a urbanização, o fomento da indústria cultural e de entretenimento, a revolução industrial e o progresso de definições e estratégias que alavancaram o seu desempenho no mundo capitalista.
Dessa forma, o turismo é um fenômeno que envolve diversos atores, colaborando para o desenvolvimento mercadológico e social. Cabe salientar que, ao mesmo tempo em que desperta o interesse exploratório nos viajantes pela cultura do diferente, promove o desequilíbrio e a influência das emoções durante o processo turístico.
A ênfase na busca pelo prazer como forma compensatória do existir humano permite, quando confrontado com o estranho, a possibilidade de sanar múltiplos questionamentos através do conhecimento exploratório. O viajante se permite investigar e, assim, evoluir; ao mesmo tempo em que o viajante se permite sair da zona de conforto, se permite, também, ser transformado por fatores emocionais, desafiando a lógica do seu lugar de pertencimento.
O turista é movido pela instigante ação de aventurar-se e pelo desejo de vivenciar o estranho, sendo necessário o desequilíbrio para então emocionar-se. A complexidade humana, ao mesmo tempo que significa, ressignifica, na essência turística, através de um agir exploratório que anseia ver ou da definição de concepções imaginárias do mundo que habitarão a realidade social.
PANAZZOLO, Flavia B. Turismo e fotografia em tempos de globalização digital: narrativas sobre fotografias de viagens turísticas. Porto Alegre: PUCRS, 2016.
WAINBERG, J. Turismo e comunicação: a indústria da diferença. São Paulo: Contexto, 2003.
Paola Marie Vitaca é publicitária e profissional de Marketing.


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