Por Vilson Antonio Romero O Brasil ponteia o ranking dos 11 países analisados pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) onde é revelado que, na proporção estimada de mortes por danos intencionais, a violência foi causa de 4,69% das ocorrências no início deste século. Pode parecer um percentual inexpressivo, como outros tantos números jogados ao “léo”, mas este índice é praticamente o dobro de todos os demais países pesquisados: África do Sul, México, Argentina, Índia, China, Rússia, Espanha, Alemanha, Finlândia e Estados Unidos.
Mais “cabelos em pé” surgem do levantamento financiado pelo governo suíço sobre a violência no mundo. Algumas das cidades brasileiras mais violentas têm o mesmo índice de homicídios que o Iraque. Os dados apontam que, em Vitória, o índice é de cerca de 70 assassinatos a cada 100 mil habitantes e que o Brasil tem quase 10% dos homicídios no mundo, com 48 mil mortes por ano. No mundo, os homicídios chegariam a 490 mil por ano, número superior ao de mortes em guerras oficiais, como no Afeganistão, na Colômbia ou no Iraque. Pelo levantamento, as guerras ceifam 52 mil vidas, em média por ano.
A América do Sul e a África são as regiões em que os homicídios apresentam as maiores taxas em todo o mundo. A média da capital capixaba, por exemplo, é 10 vezes superior à média mundial. Em cidades como Rio de Janeiro, a média é de 40 assassinatos para cada 100 mil pessoas.
Já um trabalho da Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa de SP – exibe números de uma verdadeira guerra urbana. Cerca de 1,1 milhão de pessoas, nos últimos 12 meses, sofreram ou testemunharam situações violentas e desenvolveram problemas emocionais impeditivos de uma vida normal. Muitas abandonaram o trabalho ou desestruturaram a família. Ou seja, um em cada 10 habitantes da capital paulistana foi vítima de violência no último ano (assalto, seqüestro, agressão física ou abuso sexual).
O sangue escorre diariamente do noticiário, mas o cenário aterrador não é privilégio carioca, como vimos. Permanecemos perplexos, quase indiferentes e só sentimos na alma, no corpo e no coração quando nos atinge ou a um de nossos seres queridos ou próximos. Devemos viver sobressaltados e rezando, enquanto o sambista Jorge Aragão canta a desgraça diuturna: “O Iraque é aqui/ Tá pegando aqui dentro/ O Iraque é aqui/ O povo tá com medo/ E há que se entender/ Crer / Eh! Carandiru (Bangu)/O Iraque é aqui/ O gueto tá fervendo/ Pior que isso aqui/ Que a gente tá vivendo(…)”
O Iraque é aqui!

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