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O Jardim dos Prazeres de Botero

Por Sérgio Capparelli O Lustgarten, de Berlim, em frente das ruínas do Palácio da República, está celebrando desde o mês passado o prazer de …

Por Sérgio Capparelli

O Lustgarten, de Berlim, em frente das ruínas do Palácio da República, está celebrando desde o mês passado o prazer de ser avantajado, na forma de 15 gordas estátuas de cavalos, homens, mulheres, crianças.

Famílias inteiras reúnem-se alegres nos gramados, subindo sobre mulheres amplas e nuas, em poses grandiosas. Outros admiram os rechonchudos sonhos de viver bem com o próprio corpo em um mundo cada vez mais difícil para os encorpados.

A cidade mudou. As estátuas, algumas com bem mais de uma tonelada, espalham-se por outras praças e ruas da Stadtmitte. Em frente da Brandenburgtor, por exemplo, um alentado cavalo, de quatro metros de altura, avança o pescoço para contemplar o  Tiergarten trazendo melancolia do outono.

Botero veio pessoalmente a Berlim para supervisionar essa exposição. Ele assistiu à chegada dos caminhões e os primeiros reflexos do sol no rosto da gorda mulher com o filho roliço no colo, seguida por cavalos de grandes proporções, alguns deles gordaços.

E quem passa, sente prazer em admirar os reflexos do sol na superfície escura e luzidia que celebra o que antes era sinal de vergonha. Porque as estátuas não celebram a obesidade, mas o espírito largo, a mente ampla, numa intimidade com o corpo cada vez mais difícil nos dias que correm.

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