Por Luiz Caminha
Para quem não conhece, uma redação de jornal pode parecer um mundo místico, envolto em brumas de informações que vão se dissolvendo até tornarem-se notícias concretas, prontas para ser publicadas à medida que alguns ungidos as descobrem de seu véu de mistério e imprecisões.
Quem vive nelas, sabe: as impressões são menos românticas, mais duras, como um noticiário factual de tevê.
Redações são lugares áridos, tensos, complicados, às vezes ringues simbólicos de pugilismo, às vezes salas de cirurgia, às vezes concursos de beleza – a antítese do romance. Com toda a carga de indiferença e vaidades inerente ao ofício.
Não se trata de achá-las boas ou ruins, é a natureza das redações que é assim. Quanto maiores, mais assim. Como a da Zero Hora, onde até poucos dias conviveu Olyr Zavaschi, morto na noite dessa sexta, 3/6.
Eu conheci o Olyr nos anos 90 e gostei dele de cara. Era um sujeito sereno, solidário, de princípios ponderados e reflexões justas. Parecia não ser um espírito de redação, mas estava lá, integrado, por décadas, um enclave de humanidade em meio à frieza das hard news.
Ouvi ontem à noite, no rádio, a notícia de morte dele. Os que o conheceram e privaram de sua convivência estão comovidos e tristes, não tenho dúvida. E as redações, irremediavelmente mais áridas.

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