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O Parque, as gangues, o medo

Por Ruy Carlos Ostermann Os rapazes marcaram pela internet a justa medieval para o domingo à tarde. Marcaram no centro da Redenção, no chafariz, …

Por Ruy Carlos Ostermann

Os rapazes marcaram pela internet a justa medieval para o domingo à tarde. Marcaram no centro da Redenção, no chafariz, que contorna os caminhos de fim de semana. Marcaram e foram avisando e se preparando para a morte, se fosse o caso. No domingo passado, fim de verão.

O Parque da Redenção é também uma homenagem ao centenário da Revolução Farroupilha, no outro lado, de fronte para o Colégio Militar, presta homenagem aos pracinhas gaúchos na Itália da II Guerra Mundial. Tem árvores, muitas árvores, nativas e exóticas, tem água esverdeada, muitas pistas para se caminhar, correr ou simplesmente andar.

Os rapazes não se interessam muito por um parque que não sirva como local de encontro. Não reparam nas árvores e nem nas outras pessoas. Formam uma gangue, e gangues são fenômenos da cidade, dos edifícios, das ruas, dos becos. Não convivem, se juntam e têm tarefas que vão sendo incentivadas pela internet, um veículo de comunicação e também da impunidade.

Outro dia, o Brossard, grande figura, fez um inventário do que sobrou dos monumentos da Redenção. Não sobrou quase nada, senão o pedestal de pedra e títulos, o cobre dos bustos, sobretudo, foi arrancado. E assim vem sendo feito porque a Redenção é erma, distante da vida, serve de sombra à noite, a planície dos saques.

Os rapazes desfecharam tiros, eram dois grupos, duas gangues. As pessoas ficaram com muito medo.

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