Por Roberto Schultz
Minha filha única tem 16 anos e a vi crescer. Qual a novidade nisso? Eu estava ao lado dela, na maior parte desse tempo. E fazendo também outras coisas que me dessem prazer e à minha família. Trabalhando, e muito, sem respeitar horários e madrugadas (inclusive em pleno e gelado inverno), domingos ou feriados e dias santos, o que faço até hoje. Mas também parando para ir buscá-la no colégio, desenhar sentado no chão com ela ou até ir, sozinho, dar uma corrida na pista de atletismo no meio da tarde porque o dia estava maravilhoso.
O que começou como uma necessidade acabou virando uma opção e eis-me aqui, hoje, trabalhando a maior parte do tempo na minha própria casa; um pouco na empresa dos clientes ou até num café de shopping ou no aeroporto. Já fiz reuniões animadas com publicitários em cafés de shopping. E até numa praça de alimentação, uma vez, eu me reuni com cerca de 20 estudantes que queriam ajuizar uma medida contra uma Universidade que os deixara fora das vagas do vestibular, por causa da questão das cotas raciais e sociais.
Trabalhar na empresa do cliente, para mim, então, é uma das atividades mais gratificantes. No inicio eu lhes pedia “uma sala e um computador”, hoje só peço a sala (levo o meu próprio computador) e, às vezes, nem isso. Qualquer lugar sossegado serve. Não sei se posso considerá-los amigos (seria um prazer), mas boa parte dos meus clientes é formada por pessoas com quem eu aprecio, e muito, conversar. Alguns, em especial, eu visito espontaneamente, sem ter qualquer demanda de trabalho, apenas para tomar um café e botar o papo em dia. Acaba ficando algo extremamente humano para ambos e isso sem descuidar das responsabilidades.
Conto tudo isso porque a Revista IstoÉ desta semana publicou a excelente matéria denominada O Profissional que o mercado quer (link abaixo), que recomendo a quem queira se conectar com a nova tendência mundial de opt-out (algo como “opções fora”, em tradução mais ou menos literal) do mundo corporativo.
E que determina que os profissionais de hoje possam ser múltiplos nos seus interesses sem que isso represente estar-se fora de foco (e efetivamente aparenta isso, eu sei) mas, ao contrário, demonstre uma conjuminação de vários e diversos interesses para fortalecer um único profissional.
Nem tanto ao mar e nem tanto à terra. Eu particularmente penso que a especialização combatida pela matéria da ISTOÉ, em alguns momentos, é benéfica e produtiva.
Mas concordo plenamente com a mesma matéria no sentido de que é importante desenvolver atividades aparentemente sem sentido para o dito mercado TRADICIONAL (tais como escrever num blog sobre cinema e noutro blog sobre trabalho, do jeito que eu faço). Tarefas que aparentemente não agreguem nenhum sentido profissional ou, sobretudo, financeiro, como ser blogueiro ou fazer trabalho voluntário.
Quando eu tinha um sócio num escritório de advocacia e escrevia contos, aquele meu sócio reclamava: “esse negócio de escrever contos e literatura tira a sua concentração…”.
Por isso é que, hoje – muitos anos depois daquilo – ele é meu ex-sócio. Leia a reportagem da ISTOÉ.

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