Por José Emanuel Mattos Na coluna Painel, da Folha de S. Paulo de hoje (23/1), constam as seguintes três notas:
* Vazamento calculado
Meros expectadores das novas revelações sobre a movimentação financeira de Duda Mendonça no exterior, parlamentares da CPI dos Correios avaliam que o próprio governo alimenta as informações, para mostrar que o caixa dois do marqueteiro é bem anterior a Lula.
* Samba do avião
Incomodada com a falta de informações sobre Duda, a CPI avalia que a viagem aos EUA pode resultar inócua. Na melhor das hipóteses, teriam acesso à “primeira camada” de dados das contas, sem tempo para aprofundar a investigação.
* Medidas extremas
O desespero é tanto que a CPI estuda a contratação de um escritório de advocacia nos EUA para levantar informações sobre Duda junto ao governo e aos bancos. Mas há dúvidas sobre se o material teria valor de prova.
Se eu fosse o publicitário encarregado de cuidar da imagem de Duda Mendonça, faria o seguinte exercício de imaginação: “E se o Duda morre hoje, por acidente, infarto, ataque cardíaco etc, qual a imagem dele que entraria para a história? As últimas, certamente. E quais foram?” Reproduzo abaixo três recentes manchetes de capa de Veja: “Duda Mendonça diz que campanha de 2002 foi paga com dinheiro sujo” (17/8/2005); “Desvio de dinheiro: Duda fez, Duda faz” (18/1/2006) e “Duda, sua família e sua sócia receberam 15 milhões de dólares em Miami, no Bank of America” (25/1/2006). Como sou o publicitário de Duda, penso: “Pera aí, se meu cliente morrer hoje, será lembrado no futuro com uma imagem negativa, péssima. Categoria Joaquim Silvério dos Reis. E ainda deixa a família enrolada no meio. Então, vou propor que ele compareça na CPMI e conte tudo o que sabe sobre todas as campanhas eleitorais aonde tomou parte. Assim, ele poderá entrar para a história da política do país de maneira positiva. Duda é atualmente o meu melhor produto de marketing”.

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