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O que Chacrinha e Tolstói não enxergaram!

Por Cássio Peres, para Coletiva.net

Quanto mais surgem novidades no âmbito dos conteúdos audiovisuais, mais lembro da frase de José Abelardo Barbosa de Medeiros, ou Abelardo Barbosa, ou Chacrinha, como realmente é lembrado. “Na televisão, nada se cria, tudo se copia”. Os insatisfeitos com essa máxima dirão:

      – Mas a TV mudou! 

Sim mudou, mas o conteúdo audiovisual não. Ele pode ter encontrado novas moradias para se abancar, novas formas, cores, nitidez e até tamanho maior, no entanto, continua sendo conteúdo audiovisual. Seja ele exibido na TV tradicional, no Youtube, Facebook ou na Netflix. 

No entanto, a necessidade de uma visão diafanizada se torna cada vez mais presente, quando micronizamos essa dialética em nome do ato solene; o de contar histórias.

A verve brota nas mentes mais inquietas e disruptivas, que percebem o quanto é importante usar essa habilidade puramente humana. Talvez contar histórias esteja ainda mais em voga diante da pluralidade de plataformas, canais, emissoras e possibilidades. 

Histórias transformadas em conteúdo audiovisual que busque se  aproximar do status quo vigente sempre terão público. Se criar um elo sentimental com um grupo específico, mais exitoso será esse produto. Ou seja, quanto maior for  a conexão com o seu nicho, maior o efeito, o resultado e assim por diante. Uma tendência que permeou diversas emissoras de TV nos Estados Unidos durante muito tempo, ou seja, reporte e divirta seu bairro, sua cidade, esse é o caminho.

Será que Leon Tolstói teria viajado no tempo para ser tão assertivo em sua memorável frase? “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”.

Uma regra implacável e atualíssima nos dias de hoje para aproximação do público e o conteúdo audiovisual. Fale do seu povo para além muros, além fronteiras e sempre serás universal.

Entendendo essa pétria fórmula é que a RDC TV criou a sua programação, sua trajetória no Rio Grande do Sul. Hoje, a emissora tem sido um baluarte das histórias e programas que falam sobre as coisas daqui. O nosso jeito de falar, vestir e até cozinhar são mostrados para além mar, pelo Youtube, Facebook e site. São gaúchos que vivem em outras paragens, mas que não perdem a conexão, a interação. 

No dia 2 de julho, a RDC TV completa apenas três anos de existência, mas já com muitas histórias para contar. Histórias de quem vive no Bom Fim ou no Agronomia, de quem trabalha em Bagé, Tramandaí ou Gramado, de quem se apaixonou no Três Figueiras ou em Três Coroas. Não importa. Falamos para todos os rincões e fronteiras com o nosso sotaque carregado e orgulhoso, que vira tradutor imediato das nossas andanças, do nosso povo. 

O que nem Chacrinha ou Tosltói previram é que seria possível pintar essa aldeia chamada Rio Grande, empacotar nas receitas da televisão já consagradas e enxergar tudo isso ao mesmo tempo, em várias janelas diferentes e como a RDC TV faz. Isso, nem eles previram.

Cássio Peres é jornalista e gerente de programação da RDC TV.

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