Por Vinícius Malinoski Eu que fiz a campanha da 1ª Semana da Propaganda, em 2005. O conceito era “a hora da propaganda parar pra pensar”. Fiquei bem orgulhoso, porque esse era um conceito, na minha opinião, que traduzia o que a Semana realmente significa. Ou pelo menos o que deveria significar.
Semana passada, chegaram até mim vários boatos da polêmica que uma peça minha gerou entre o júri do Salão da Propaganda. A peça era o viral para a Secretaria da Saúde que parodiava o famoso vídeo pra Cicarelli na praia com o namorado, o Mosquitarelli, como a gente chama carinhosamente. A polêmica era sobre como julgar um viral para a internet dentro dos critérios da categoria TV.
Apesar de não ter sido criado para isso, pelo sucesso que fez, o Mosquitarelli acabou veiculando também na TV. Digo isso para que fique bem claro que discussão é sobre parâmetros criativos, e não legitimidade.
A polêmica me deixou profundamente triste. Não apenas porque o Mosquitarelli, que é uma das peças mais premiadas da história da propaganda gaúcha, senão a mais premiada, pode acabar não sendo devidamente valorizado logo aqui. Casa de ferreiro, espeto de pau. Mas sobretudo porque eu já sabia que isso iria acontecer.
Como é de praxe, o júri do Salão da Propaganda se reuniu para discutir as regras do concurso alguns meses atrás. Nessa ocasião, a discussão sobre criar novas categorias que comportassem os novos formatos foi levantada, mas o júri decidiu por deixar tudo como estava. Com essa decisão, decidiu também fazer um Salão da Propaganda que já nasceu velho e que não reflete na totalidade a propaganda do nosso estado.
Mas se por um lado eu fiquei triste pela previsibilidade da polêmica, também quero ver nisso uma oportunidade para abrir a discussão e amadurecer o nosso mercado. Criando novas categorias, estaremos apenas dando espaço na vitrine para um trabalho que já está sendo feito. Um trabalho de primeira qualidade e que merece seu lugar na memória da propaganda. Não esqueçam que essa é a grande função de um anuário: registrar.
Do jeito como as coisas estão, empresas como a LiveAD, a Mazah, a Espalhe e outras, estão marginalizadas. Essas empresas não fazem comerciais de TV, spots de rádio ou anúncios de jornal. Mas fazem, sim, propaganda. E muito boa, por sinal.
Além do mais, os grandes concursos internacionais e o maior concurso nacional, o do CCSP, já foram nessa direção. Não estaremos inventando nada de novo, estaremos tão somente nos adequando a um cenário já estabelecido.
A propaganda é um negócio mutante por natureza. O que nós vendemos é criatividade e é muito difícil colocar a criatividade dentro de um caixa por muito tempo. Por isso mesmo, um concurso que pretenda julgar o que é feito de mais criativo deve ser criativo também na hora de julgar. Não podemos esquecer que o Salão é da propaganda, e não das agências de propaganda.

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