Por Carolina Zogbi
Almodóvar conseguiu me surpreender de novo. Na verdade, mérito da minha mãe, que comprou a “velha” novidade dia desses. Já tinha ouvido falar no filme “A flor do meu segredo” (La flor de mi secreto, 1995), inclusive ele estava no meu computador, junto com tantos outros arquivos, mas nunca havia parado para conferir. E entrou para a lista dos meus preferidos feitos pelo espanhol.
A trama conta a história de uma escritora, interpretada brilhantemente por Marisa Paredes, que passa por um bloqueio criativo, um casamento fracassado, o qual tenta salvar a qualquer jeito, e uma família problemática. Com situações e cenas muito parecidas com as de Volver (2006).
O grande segredo da protagonista não está apenas no fato de usar um pseudônimo para assinar seus trabalhos, mas em toda a confusão que busca (ou permite) para sua vida. Insistindo em ficar com um marido ausente, que não lhe dedica o mínimo de atenção, ela começa a não conseguir mais cumprir um contrato de escrever romances, por que isso está bem longe de existir em sua realidade. E com a prioridade de ficar com o homem que ama, cada vez mais a sua carreira começa a degringolar.
Neste filme, o curioso é que Almodóvar dá chance a um homem para exercer um papel importante: este ajuda Leo (Marisa Paredes) a sair da situação desesperadora. Obviamente que no meio de todo o drama aparece a gritaria entre mulheres, presente nas produções do espanhol, e que eu particularmente adoro. Simplesmente porque não são neuroses chatas e cansativas, mas problemas corriqueiros e comuns a qualquer pessoa, que tomam forma através de personagens que dramatizam e ao mesmo tempo tornam hilariantes as piores situações.
Não espere nada chocante ou polêmico como o último trabalho do diretor (A pele que habito, 2011), mas aquela trama centrada nas mulheres, em suas neuras e problemas permitidos por elas mesmas. Um filme simples, um roteiro sutil, mas cumpridor do dever. Ele nos mostra que nós somos os responsáveis por tudo que atraímos e repelimos da nossa vida e o principal: o resultado disso. Tudo em um pouco mais de uma hora e meia que passam voando e não tão clichê quanto o texto que acabei de escrever.

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