Por Antonio Bavaresco
Todo mundo que conhece Sílvio Santos sabe que, se tem uma coisa em que ele faz questão de interferir diretamente é na programação de sua rede de televisão. Quem considera Sílvio um dublê de empresário e animador de auditório deve acrescentar “programador de TV” à sua lista de funções. O que ninguém imaginava é que um dia a poderosa Rede Globo fosse se submeter a uma de suas estrelas tentando bancar o Sílvio Santos, o programador-animador de auditório, bem entendido.
Ainda está para ser revelado o “Segredo de Fátima”, não aquele da santa, mas aquele que levou a bem-sucedida jornalista a largar (ou ser largada) da ancoragem do mais importante noticioso televisivo do país, para se aventurar em um formato de programa, um horário e uma temática que ela não apenas não domina, como visivelmente a deixa no papel de “peixe fora dágua”. O resultado não poderia ser pior, tanto na estética quanto no conteúdo e, como por consequência, na audiência.
A Globo, ao contrário do que costuma fazer, arriscou, apostando em uma ideia que todos dizem não ter sido pesquisada, mas nasceu da convicção da própria Fátima e de dois diretores de núcleo da emissora. O resultado já coloca a famigerada atração global como o maior fiasco de audiência de sua história recente. Provocou uma queda quase que imediata do primeiro para o terceiro lugar em preferência no horário, no espaço de apenas uma semana, ficando pela primeira vez em quase 20 anos atrás de SBT e Record. Pelos corredores da emissora já se fala abertamente em mudança de horário e, quem sabe, de formato do programa.
A criançada, que assistia aos desenhos na faixa, obviamente, recorreu ao controle remoto… As mães, que tinham na TV uma espécie de babá eletrônica, devem ter ficado particularmente contrariadas com a mudança e – quem duvida ? – podem ter propositalmente boicotado a atração. De uma forma ou de outra, se era prá bancar a Márcia Goldshimit, a Globo poderia ter recorrido à própria. Pelo menos, naquele caso, se sabe que tudo não passa de “teatrinho”. Pior é acreditar que a Fátima vá dar credibilidade de Jornal Nacional a “Casos de Família” ensaiados nos camarins.
Se a Globo estiver aberta a sugestões, tenho uma que, com certeza, pode catapultar a audiência e transformar o horário em fenômeno digno de estudos. Um reality-show estrelado pelo Casal 20 da TV brasileira: “Minha Vida com Bonner”. Tenho a impressão de que iria “bombar”. Cada um tem o Sílvio Santos que merece.

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