Por João Firme A criança ao nascer é acompanhada por um médico pediatra. É através dele que se conhece o Teste do Pezinho, que detecta doenças congênitas, cardiovasculares, diabetes e outras.
A ciência evoluiu e sabe-se que o recém nascido apresenta ou não patologia que possa levar a deficiência visual, graças ao Teste do Olhinho. Ocorre que em alguns hospitais os pediatras já estão capacitados e as maternidades equipadas para a realização do mesmo. Ele deve ser realizado nas primeiras 48 horas de vida, o que traz maior possibilidade de tratamento para as crianças afetadas. Isto porque a visão se desenvolve nos primeiros meses e anos de vida. Após os sete anos, o deficiente dificilmente terá a mesma chance para recuperar sua visão e enxergar um pouco mais na juventude e na melhor idade. Este mal é acentuado na população carente que não tem convênios e depende da generosidade do SUS, que por sua vez, com raras exceções, não faz o Teste do Olhinho.
Constatada anormalidade neste teste, esta criança deverá ser encaminhada a um médico oftalmologista com a maior brevidade possível para o tratamento específico. Desta forma, poderemos estar diminuindo a prevalência de deficiência visual na população, já que mais da metade dos casos de catarata congênita, por exemplo, já são presentes ao nascimento (quando deveriam ser tratadas), porém, só são diagnosticadas tardiamente, quando o tratamento já é limitado.
Foi por isso, que a SBOP – Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica pleiteou na Câmara Municipal de Porto Alegre uma lei para que se realizasse o teste do Olhinho nas maternidades, mas infelizmente, não foi aprovada e cremos que o motivo é o desconhecimento dos nossos edis. Da mesma forma, um parlamentar gaúcho fez um projeto de lei parecido com o da Câmara de Vereadores, da capital gaúcha, e também foi rejeitado. Faltou compreensão e conhecimento.
Entretanto, mesmo com toda a tecnologia médica disponível, inúmeras crianças sofrem de problemas que determinam severo déficit visual. Obviamente o diagnóstico tardio no nosso meio, acentua a gravidade desta situação. E hoje no mundo, a cada 60 segundos, uma criança fica cega.
Para estas campanhas, são necessários instituições que saibam desenvolver o processo de estimulação e reabilitação visual. No RS, existe em Caxias do Sul uma única ONG nesta área, há 24 anos, e conta com a participação do Rotary Club Centenário, do poder público municipal e da comunidade. E presta um grande serviço aos que não podem pagar o tratamento. Recentemente, os caxienses voluntários dessa instituição pediram socorro à SBOP. O motivo era o sobre-carregamento com os deficientes visuais da região do nordeste do estado e também de Porto Alegre.
Desta forma, a SBOP, através de sua presidente, Rosane Ferreira, veio propor a idéia de desenvolver um centro de Estimulação Visual à Criança Deficiente
Assumimos este desafio de inclusão social como publicitário, rotariano e cidadão porto-alegrense, e solicitamos que se acrescentasse o nome de Hesíodo Andrade ao Instituto Ver. Esta é uma homenagem póstuma ao fundador e ex-presidente do Sindicato das Agências de Propaganda do RS e da Alap. Seu nome foi agregado pelo fato de ter perdido quase toda a visão pelo diabetes. Isto aconteceu na década de 90 em Brasília, numa reunião da Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda). Permanecemos quatro dias na capital da República consultando oftalmologistas que conseguiram reabilitar 10% do mal que lhe acometeu.
Toda essa história foi recordada pelos médicos José Amadeu Vargas (oftalmologista de Hesíodo), Rosane Ferreira e Giovanni Travi para que as entidades de propaganda do RS sejam mantenedoras do Instituto Ver Hesíodo Andrade, que terá como objetivo principal a estimulação e a reabilitação visual infantil.
No dia 23 de janeiro, constituímos o Instituto Ver Hesíodo Andrade sob responsabilidade técnica dos médicos oftalmologistas Rosane Ferreira, Giovanni Travi e José Amadeu Vargas, voluntários desta causa. Esta é uma idéia concretizada que vai longe.

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