Artigos

Obrigado, Caren Moraes!

Por Gilberto Jasper, para Coletiva.net

Minha paixão em mais de 40 anos de jornalismo é movida pela possibilidade diária de conhecer gente. A rotina permite descobrir histórias humanas incríveis, que dão de 10 a zero em qualquer superprodução premiada pelo Oscar.

Se a remuneração nos obriga a “vender o almoço para comprar a janta”, por outro lado, forjamos amizades para sempre. Repito aos filhos que cargos, funções e bons salários passam. A única coisa que fica são os amigos que ajudam nos momentos de dificuldade que são inúmeros.

A pior coisa em ficar velho – tenho 61 anos – e gostar de gente são as perdas, que são notícias quase semanais. Perdi a conta dos colegas levados nos últimos meses por Covid e outros males. Jornalistas não são pessoas preocupadas com a saúde e o futuro.  

A perda que me afetou profundamente foi da colega e amiga Caren Moraes, uma guria querida, competente, afetiva, alto astral, mãe zelosa, parceira fiel. Minha história com ela começa em 2002, quando fui convidado pelo então deputado federal e candidato a governador Germano Rigotto para coordenar a imprensa da campanha eleitoral.

É conhecida a história do candidato que arrancou com 2% e elegeu-se como inquilino do Palácio Piratini. O que ninguém sabe, porém, é que ralei muito para encontrar um mínimo de pessoas dispostas a trabalhar pelo “azarão” da disputa.

Além de meu falecido irmão Roberto César Jasper – publicitário recém-formado e desempregado – e da jornalista Elaine Britto, somente Caren Moraes topou trabalhar no comitê da Avenida Sertório de Porto Alegre. Todos os demais convidados, inclusive muitos colegas sem emprego, declinaram do convite para o  desafio que parecia impossível de superar.     

Caren chegava cedo, só ia embora depois de muita insistência. Oferecia contribuições em todos os setores da campanha e “pegava no pesado” até para carregar material de rua.

Depois da eleição de Rigotto, Caren revelou outras facetas no Piratini. Era do tipo que não negava participar de qualquer tarefa. Lembro que suas lindas filhas apareciam frequentemente no porão do palácio e logo foram “adotadas” pela turma da Comunicação. 

Criticam os velhos porque vivem falando “dos bons tempos”, mas prefiro falar “das boas pessoas” que passaram na minha vida. A despeito de suas competências, Caren sempre foi humilde, simples e acessível. Por isso, ela só nos deixou fisicamente.

O seu legado humano é eterno. Através das filhas e da neta. E através da memória de quem, como eu, teve o privilégio de compartilhar deste ser humano iluminado, gentil e inesquecível. Muito obrigado, Caren! A tua trajetória foi breve, mas ficará para sempre em nossos corações.

Gilberto Jasper é jornalista.

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.