Artigos

Olho na TV, as eleições vêm aí!

Por Flávio Porcello Os escândalos políticos com denúncias de corrupção que derrubaram a direção do PT e colocam o governo Lula sob suspeita paralisaram …

Por Flávio Porcello

Os escândalos políticos com denúncias de corrupção que derrubaram a direção do PT e colocam o governo Lula sob suspeita paralisaram o País. Não por acaso, o empresário Marcos Valério, o ex-tesoureiro Delúbio Soares, e o próprio presidente Lula, naquela estranha e incomum gravação em Paris, sucederam-se nos últimos dias, aparecendo em entrevistas “exclusivas” para a TV. As explicações não convenceram mas Mídia e Poder estavam, mais uma vez, desempenhando seus papéis, ocupando seus lugares. E na maior parte das vezes do mesmo lado.

Claro que é papel da imprensa investigar e contar o que sabe. E ganha crédito com a audiência quem faz o jornalismo mais ágil e dinâmico. Mas nem por isso podemos nos deixar iludir, aceitando passivamente o que é mostrado na tela luminosa da TV. Ela usa a linguagem do espetáculo, adota regras de rapidez e agilidade que visam prender a atenção do telespectador, evitando que mude de canal. Mas isso não significa aceitar tudo o que é mostrado. É preciso desconfiar do que é dito e mostrado. Há uma superexposição da política na TV. Emissoras como a TV Senado nunca haviam alcançado tamanha audiência. Isso não é ruim, mas nos pede uma reflexão.          

A fronteira entre público e privado ficou móvel e varia de acordo com o que é ou não noticiado. A mídia é hoje o espaço público onde a política acontece. E o Poder, exercido através da política, é a supremacia do espetáculo, uma nova forma do modo de produção capitalista. Mídia e Poder tem interesses comuns. E não hesitam em usar-se mutuamente.  

O professor de sociologia da Universidade de Cambridge, John Thompson, em seu livro O Escândalo Político (Vozes, 2002), diz que “no mundo atual a  visibilidade foi transformada pela Mídia” e acrescenta que “o Poder e a reputação andam de mãos dadas”.  Mas completa, dando ânimo para enfrentarmos a situação: “O escândalo político é importante porque, em nosso moderno mundo midiático, ele afeta as fontes concretas do Poder”. Vamos aprender com ele.

Por causa dos maus políticos não se pode dizer que a política seja ruim.  Esse é um momento importante para separar o que é certo do que é errado. A

campanha eleitoral para 2006 está começando agora. E o eleitor tem todo o direito de exigir da Mídia um acompanhamento sistemático e crítico de tudo o que acontece nos bastidores do Poder para avaliar com critérios muito rígidos quais os políticos que vão merecer seu voto no ano que vem. Não é demais sugerir: um olho na TV, o outro nos políticos e o dedo na tecla certa da urna eletrônica.

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.