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Outro paradigma para o salário mínimo

Por Altamir Tojal O salário mínimo não combina nem com a necessidade das pessoas nem com a realidade econômica do Brasil. Combina muito menos …

Por Altamir Tojal

O salário mínimo não combina nem com a necessidade das pessoas nem com a realidade econômica do Brasil. Combina muito menos com um país que pretende ser protagonista da política mundial. Se o Brasil quer ser respeitado no mundo, precisa primeiro se dar respeito, a começar por aí, por ter um salário mínimo que assegure dignidade ao trabalhador.

Estamos falando de R$ 510 por mês, que o governo aceita aumentar para R$ 540 em 2011 e as centrais sindicais propõem chegar a R$ 580. Ou seja, tudo quase a mesma coisa. O Brasil, que se orgulha de ser uma das maiores economias do mundo, de estar no G20, tem de ser capaz de levar o salário mínimo para outro paradigma. Não o do limite imposto pelo poder, limite que batizaram de orçamento. Orçamento é um ente político, onde se põe, se tira e se aloca dinheiro conforme a vontade de quem pode mais.

O paradigma, a lógica do salário mínimo tem de ser outra. Não a lógica do orçamento, mas a da potencialidade da economia brasileira. E é claro que uma economia que suporta tanta coisa, como uma máquina pública exuberante, os juros mais caros do mundo e sucessivos lucros recordes da banca, pode botar o salário mínimo numa ordem de grandeza mais próxima da dignidade.

As divergências entre o governo e as centrais sindicais são brigas de comadre. Governo e sindicatos são uma coisa só no Brasil e a roupa suja é lavada em casa, dentro do PT e partidos aliados. Assim, a reivindicação das centrais por um salário mínimo de R$ 580 tem jeito de jogo para a platéia. No fim, ou vai mesmo prevalecer a posição da banca e do mercado financeiro, que cravaram o aumento em 5,9%, para R$ 540, “para não afastar investidores, não quebrar empresas, não pressionar a inflação, não aumentar o buraco da previdência etc”, ou vai sobrar uma bondade final para Lula ou inaugural para Dilma e o salário vai para os R$ 580 ou para perto disso.

Agora que o Congresso Nacional acertou os salários dos seus membros, do presidente, ministros, juízes e todos mais do poder, fico na torcida para que isso aconteça, para que a bondade de Lula ou de Dilma seja feita e dêem os R$ 580. Serão 13,7% de aumento, ou melhor, de reajuste, muito menos que os 62% que os parlamentares se deram. E muito, muito menos do que é necessário, justo e possível.

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