Por José A. Vieira da Cunha
Como boa parte das pessoas que circulam por este ambiente que genericamente denominamos de sr. Mercado, em vários momentos e situações convivi com o Lairson. Pessoa afável, sempre atencioso e sorridente, circulava com tranquilidade por estes ambientes da área publicitária. Sua morte brutal nos levou a pensar imediatamente algo tipo ‘por que logo ele?’? A razão respondeu em seguida: é que no caminho dele havia dois bandidos, que poderiam estar no caminho de qualquer um de nós, a qualquer momento.
Aquela sensação de que há um clima de insegurança só cresce entre nós. E cresce por vários motivos, um deles a absoluta falta de prioridades e uma acentuada dose de leniência por parte de nossos governantes. A declarada tolerância para com pequenos deslizes faz com que estes, impunes, se agrandem e, ali na ponta final, reduzam a vida a uma mercadoria de valor insignificante. Quando a força policial se omite e assiste à distância vândalos destruírem patrimônios públicos e privados, quando bandidos presos são libertados logo após um laudo circunstanciado que não leva a lugar nenhum, quando leis são atropeladas, quando, enfim, o sentimento de impunidade só cresce, cresce também a vergonha de se pertencer a um círculo como este.
Como nada indica que este cenário de iniquidades e impunidades vá mudar tão cedo, a morte de Lairson terá sido em vão? Reflita a respeito, sr. Mercado.
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