Por Glauco Fonseca De imediato, sente-se que há um processo de maturação no ar no que se refere à Associação Riograndense de Propaganda. A ARP é uma entidade que reúne empresários sérios, num mercado sério e com muitos desafios pela frente, principalmente no que diz respeito à continuidade do excelente trabalho do Airton Rocha e Cia.
O que eu chamo de maturação é resultado de vários fatores. Nega-los ou avalia-los individualmente pouco gerará em contribuição ao fomento da entidade e sua história. Desconsiderar que a propaganda sofreu por causa do escândalo do mensalão e das distorções licitatórias promovidas pela atual gestão no governo federal, é esquecer que um capítulo importante foi escancarado, que uma ferida foi exposta.
A relação da publicidade com o poder é muito intensa e sempre foi. Assim como já produziu grandes e memoráveis feitos, também é capaz de gerar baixas traumáticas e enormes prejuízos. Aliás, como toda indústria forte é capaz.
Então, se houve uma exposição indesejada da indústria da propaganda, também é verdade que os fatos ocorridos são resultado de uma espécie de “decantação” do trade. Foi o “début” de uma face obscura do negócio da propaganda, num ambiente, num governo onde ninguém é querubim. A propaganda, assim como os setores farmacêutico, alimentício, automobilístico, agropecuário e qualquer outro, não é uma seara apenas habitada por geniais criadores, brilhantes redatores e fenomenais designers. A propaganda também tem pulhas, magarefes e desonestos. Isto ficou claro pelo simples fato de que, de mais de uma dezena de agências que atendem o governo federal, quantas foram as envolvidas em escândalos? Apenas duas, que eu me lembre.
Se sofrimento, quando não mata, fortalece, então é de se esperar que a propaganda gaúcha declare sua cota de sofrimento pelo que aconteceu a si como setor, assim como é natural um certo hiato, para que haja a necessária catarse, sem o que não se consolida a gloriosa expiação.
A ausência momentânea de candidatos à presidência é precípuamente isto, a meu ver. Há vários lideres do setor que desejam conduzir os destinos da propaganda gaúcha através da ARP, mas há de se respeitar o tempo, há de se descansar as angústias, até que se faça novamente a normalidade. Ver a situação como desprestígio da propaganda ou carência de liderança é uma avaliação precipitada e imatura, coisa que a ARP não é.
Se os publicitários gaúchos continuarem respeitando seus negócios, seus clientes, seus mercados e principalmente a sociedade gaúcha, logo teremos novamente a ARP em ação, comandada por alguém tão bom quanto o Airton (mas dificilmente tão bonito).

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