Por João Carlos Ferreira da Silva
Na história das nações, as maiores mudanças nem sempre são sinalizadas por acontecimentos extraordinários. Às vezes, é algo muito pequeno que se torna simbólico, que diz tudo sem, na verdade, ser causa ou consequência de nada.
Para ficar apenas em um exemplo relativamente próximo, o primeiro pedaço quebrado no Muro de Berlim não foi o que mudou a Alemanha (e a Europa e o mundo); mas haverá algum fato mais representativo do que ocorreu naquele momento, bastando repetir a imagem para que todos recordem e compreendam?
É por isso que, ano após ano, na Quarta-Feira de Cinzas, desperto em febril expectativa, à espera do fato pequeno, comum, que anuncie e simbolize nossa grande transformação.
Ainda não foi este ano, mas tenho certeza de que, em 2015, 16, 17 – quem sabe? – ligarei o rádio e não ouvirei nenhum repórter falando sobre o lixo acumulado na rua. Ligarei a TV e não verei nenhuma receita de suco ou comidinhas leves para derrotar a ressaca. Pegarei um jornal e não lerei nenhum analista afirmando que agora começa o ano político e econômico.
Quando isso acontecer, o Brasil terá, afinal, mudado.
Será, no mínimo, um país com jornalismo mais inteligente e criativo.

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