Por Antonio de Oliveira
Sabe como aconteceu ? Como acontece quase sempre. Eu estava na sala e ouvi uma voz cantando alguma coisa lá no quarto das gurias. Não me contive. Fui lá ver quem era. Perguntei e disseram algo assim como “pô !!! tu não sabe? É a Amy”, como se já fossem íntimas dela há muito tempo.
E dali para a frente eu também fiquei meio íntimo daquela voz. Procurei até saber o que diziam algumas letras. Achei que eram coisas de jovens, algumas não tinham lá muito a ver para mim, mas certamente que sim para os jovens. Falavam em drogas, em dificuldades, desestabilização, doidura, clínica. Não eram de revolta contra ninguém, mas contra si mesma. Ela lutava, lutava, mas não conseguia sair de onde estava. Estava desesperada.
Acho que eu me liguei no desespero dela. Foi isso.
Ela acabou encerrando sem solução. Não acredito que tenha se matado. Deve ter sido um acidente. Sua voz era inconfundível. Não virá ninguém igual. Assim como Elis Regina.
Mas ela estava ainda no começo. Andou pouco. Até onde suas pernas já magricelas e trôpegas deixaram.
Aqui em casa todos ficamos muito tristes. Achatados. Todos gostavam dela. Torcíamos para que ela superasse sua crise. Eu já não gostava de vê-la na TV. Sò de ouví-la. Torcia para que aparecesse alguém para salvá-la. Não deu. Ela não quis ou não encontrou, sei lá…
Ficou só a pergunta: por que ninguém se preocupou de verdade com ela? Só por que estavam faturando e a vida dela não importava, era o de menos? Que maldade!!!

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